# BepiColombo entra em órbita de Mercúrio a 21 de novembro, ao fim de oito anos de viagem: o calendário até 2027

> A missão europeia e japonesa vai ser capturada pela gravidade do planeta mais próximo do Sol e, a 9 e 10 de dezembro, as duas sondas separam-se. Os instrumentos já foram testados e estão em bom estado, diz a ESA. A ciência a sério só começa em abril de 2027.

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- Categoria: Ciência e Espaço
- Autoria: Redação
- Publicado: 29 de outubro de 2026
- Etiquetas: ESA, BepiColombo, Mercúrio, JAXA, Sistema Solar

## Em resumo

- A BepiColombo foi lançada a 20 de outubro de 2018 e fez nove passagens por planetas, seis delas por Mercúrio, para travar o suficiente.
- A 21 de novembro, as sondas MPO, da ESA, e Mio, da agência japonesa JAXA, ainda juntas, entram em órbita de Mercúrio.
- A 9 e 10 de dezembro as duas separam-se, o que a ESA considera a chegada oficial da missão.
- O MPO chega à órbita final a 19 de março de 2027 e as observações científicas começam em abril de 2027.
- Uma das perguntas a responder é se há mesmo gelo nas crateras dos polos de um planeta onde a superfície chega aos 450 °C.

Depois de oito anos a andar às voltas no interior do Sistema Solar, a BepiColombo está quase a ficar de vez em Mercúrio. A missão da Agência Espacial Europeia (ESA) e da agência japonesa JAXA vai entrar em órbita do planeta a 21 de novembro, segundo o calendário publicado pela ESA. É a terceira missão a visitar Mercúrio e só a segunda a ficar em órbita, depois da Messenger, da NASA, que lá esteve entre 2011 e 2015. E é a primeira a levar duas sondas ao mesmo tempo: o MPO, europeu, que vai estudar a superfície e o interior, e o Mio, japonês, dedicado ao campo magnético.

## Porque demorou tanto

Mercúrio está muito mais perto da Terra do que Júpiter, mas chegar lá para ficar é mais difícil. Quem viaja em direção ao Sol vai ganhando velocidade, como um carro numa descida, e se chegar depressa demais passa ao lado do planeta sem ser apanhado pela gravidade. A ESA nota que pôr uma sonda em órbita de Mercúrio exige ainda mais energia do que enviar uma missão a Plutão.

A solução foi travar aos poucos. Desde o lançamento num Ariane 5, a 20 de outubro de 2018, a BepiColombo passou uma vez pela Terra, duas por Vénus e seis por Mercúrio, a última em janeiro de 2025. A 3 de setembro deste ano largou o módulo de transferência que a empurrou durante a viagem, e o MPO passou a conduzir o conjunto. A 24 de setembro ligou os propulsores durante 8 minutos e 42 segundos para acertar a rota, a primeira de várias pequenas correções previstas antes da manobra de novembro.

## O que acontece até 2027

A 15 de setembro, todos os instrumentos do MPO foram ligados ao mesmo tempo pela primeira vez desde a separação e, segundo a ESA, estão em bom estado. O altímetro laser BELA disparou mais de 700 mil impulsos durante 21,5 horas e a câmara SIMBIO-SYS tirou a primeira imagem no espaço. O calendário daqui para a frente é este:

- 21 de novembro: o MPO e o Mio, ainda juntos, são capturados pela gravidade de Mercúrio.
- 9 e 10 de dezembro: as duas sondas separam-se e o Mio fica logo na sua órbita de trabalho. A ESA trata este momento como a chegada oficial e vai segui-lo a partir das 22h00 de 9 de dezembro (21h00 em Lisboa), no centro de operações de Darmstadt, na Alemanha.
- 19 de março de 2027: o MPO chega à órbita final.
- Abril de 2027: começam as observações científicas das duas sondas.

As perguntas são muitas. Mercúrio tem um núcleo com cerca de 4.000 quilómetros de diâmetro, dentro de um planeta com menos de 5.000, e mais potássio à superfície do que seria de esperar num corpo tão perto do Sol, o que leva alguns cientistas a admitir que se formou mais longe. A Messenger viu sinais de gelo nas crateras dos polos, onde o sol nunca entra, mas a presença de água nunca foi medida diretamente. A ESA espera que os instrumentos do MPO consigam confirmá-la e dizer quanta existe. As atualizações da chegada vão sendo publicadas na página da missão, em esa.int.
