# Calor do verão de 2026 matou mais de 50 mil pessoas nas cidades europeias, 476 em Portugal, estima estudo

> Investigadores do Imperial College London e da London School of Hygiene & Tropical Medicine modelaram as mortes por calor em 854 cidades e concluem que foi o verão mais mortal desde 2000. Cerca de dois terços das vítimas são atribuídas ao aquecimento causado pelos combustíveis fósseis.

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- Categoria: Ciência e Espaço
- Autoria: Redação
- Publicado: 24 de outubro de 2026
- Etiquetas: Alterações climáticas, Ondas de calor, Saúde, Europa

## Em resumo

- O estudo estima 50.391 mortes ligadas ao calor entre junho e agosto em 854 cidades de 30 países europeus, que reúnem cerca de 40% da população.
- Dessas mortes, 32.619 são atribuídas ao calor extra provocado pelas alterações climáticas causadas pelo homem.
- É 71% acima do anterior pior verão analisado pela equipa, 2022, com 29.480 mortes; para Portugal, o estudo aponta 476.
- Quase um terço das mortes aconteceu entre 17 de junho e 1 de julho, quando as temperaturas médias estiveram mais de 5 °C acima do normal.
- Mais de metade das vítimas tinha 85 anos ou mais, mas o calor matou também cerca de seis mil pessoas com menos de 65 anos.

As ondas de calor do verão de 2026 terão provocado mais de 50 mil mortes nas cidades europeias, o número mais alto desde pelo menos 2000. A estimativa vem de dois artigos científicos de investigadores do Imperial College London e da London School of Hygiene & Tropical Medicine, a publicar na revista Nature Health e noticiados na sexta-feira pela Associated Press e pela Lusa. Para Portugal, o estudo atribui 476 mortes ao excesso de calor entre junho e agosto. Quase dois terços do total europeu, concluem os autores, não teriam acontecido sem o aquecimento provocado pela queima de carvão, petróleo e gás.

## Como se chegou aos 50 mil

A equipa analisou 854 áreas urbanas dos 27 países da União Europeia, do Reino Unido, da Noruega e da Suíça, que juntas representam cerca de 40% da população desses países. Como muitas mortes por calor não aparecem como tal nas certidões de óbito, os investigadores usaram registos de temperatura e um modelo estatístico que relaciona, para cada cidade e grupo etário, a temperatura com a mortalidade. Depois compararam o verão real com simulações de um mundo sem alterações climáticas, e a diferença é a parte atribuída ao aquecimento. O resultado foi de 50.391 mortes, das quais 32.619 ligadas ao calor adicional causado pelo homem.

Segundo a Associated Press, o valor fica 71% acima do pior verão anterior registado pela mesma equipa, o de 2022, com 29.480 mortes, e bem acima de 2003, com cerca de 28 mil. Os autores admitem que é uma subestimativa: fica de fora uma onda de calor mortífera em maio e tudo o que aconteceu fora das 854 cidades. Quando compararam os seus cálculos com as estimativas oficiais do Reino Unido para as ondas de calor de maio e junho, chegaram a 2.700 mortes em excesso, contra as 2.800 contadas pela agência de estatística britânica.

## Quem morreu e onde

Itália foi o país mais atingido, com 13.303 mortes estimadas nas cidades analisadas, seguida de França (7.268), Espanha (6.824), Alemanha (6.340) e Reino Unido (4.354). Quase um terço de todas as mortes concentrou-se entre 17 de junho e 1 de julho, quando a temperatura média diária na região esteve mais de 5 °C acima da média de 1991 a 2020. Mais de metade das vítimas tinha 85 anos ou mais, mas o calor esteve também na origem de cerca de seis mil mortes de pessoas com menos de 65 anos, incluindo mais de 800 entre os 20 e os 44.

A parte das mortes atribuível às alterações climáticas tem vindo a subir, de cerca de 45% no início dos anos 2000 para 65% agora, disse à AP a autora principal, a climatologista Clair Barnes. Os 476 mortos estimados para Portugal referem-se só às cidades incluídas no estudo e não se comparam diretamente com outras contagens. A Lusa lembra que, segundo o Conselho Português para a Saúde e Ambiente, os episódios de calor de 2025 terão provocado 2.009 mortes em excesso no país.
