# Ecógrafo de hospital mostra os óvulos dentro de corais vivos sem os cortar, num teste com seis espécies

> Para saber se um coral está pronto a reproduzir-se, os cientistas costumam ter de o partir. Uma equipa da Coral Spawning International usou um ecógrafo da Canon, do tipo que acompanha gravidezes, para ver os óvulos debaixo de água. Os resultados ainda não foram publicados numa revista científica.

- Publicação: MEGAzine (https://megazine.pt/)
- Endereço: https://megazine.pt/ciencia-e-espaco/ecografo-de-hospital-mostra-os-ovulos-dentro-de-corais-vivos-sem-os-cortar-num
- Categoria: Ciência e Espaço
- Autoria: Redação
- Publicado: 6 de novembro de 2026
- Etiquetas: Corais, Oceanos, Ecografia, Canon, Conservação

## Em resumo

- A Coral Spawning International fez ecografias a seis espécies de corais pétreos de pólipos grandes, mantidos debaixo de água, com um ecógrafo hospitalar Aplio i700.
- Até aqui, confirmar se um coral tinha óvulos obrigava a cortá-lo; a ecografia permite fazê-lo sem danificar o animal.
- Para validar o método, a equipa partiu um coral da espécie Trachyphyllia geoffroyi e confirmou que as estruturas vistas na ecografia eram óvulos.
- Os corais vão ser seguidos durante seis meses, até libertarem os gâmetas, para afinar a previsão das épocas de desova.
- O trabalho foi divulgado pela Canon e pela Coral Spawning International e ainda não tem artigo científico revisto por pares.

Muitos corais reproduzem-se num fenómeno sincronizado, a desova, em que as colónias libertam ao mesmo tempo milhões de óvulos e espermatozoides para a água. Prever essa data é essencial para quem tenta criar corais em laboratório e devolvê-los aos recifes, mas até aqui havia um problema. Para saber se uma colónia já tinha óvulos em desenvolvimento, os investigadores tinham de a cortar e observar o interior. Uma equipa da Coral Spawning International (CSI) mostrou agora que um ecógrafo de hospital consegue fazer esse exame sem tocar no coral.

## Como se faz uma ecografia a um coral

A experiência, anunciada pela Canon a 5 de novembro, usou o Aplio i700, um ecógrafo da Canon Medical que nos hospitais serve para examinar órgãos, vasos sanguíneos e acompanhar gravidezes. A equipa testou seis espécies de corais pétreos de pólipos grandes, conhecidos pela sigla inglesa LPS, com esqueletos diferentes entre si. Os corais nunca saíram da água e, nas imagens divulgadas, a sonda aparece protegida por um saco de plástico e mergulhada no aquário, junto a cada colónia.

O truque esteve na combinação de duas sondas. As de frequência ultra-alta dão imagens mais nítidas mas penetram pouco, enquanto as de frequência alta chegam mais fundo com menos resolução. Juntas, segundo a Canon, permitiram ver as estruturas internas dos corais com um pormenor inédito. Para provar que as estruturas vistas eram mesmo óvulos, a equipa partiu um exemplar de Trachyphyllia geoffroyi e comparou fotografias macro do interior com as imagens da ecografia. O que aparecia nas fotografias batia certo com a ecografia.

## Porque importa e o que falta saber

A data da desova varia entre os milhares de espécies de coral e muda também com o local e as condições do mar. Saber com antecedência quando uma colónia vai reproduzir-se ajuda a planear a recolha de gâmetas, a criação de larvas e os programas de reprodução seletiva, que tentam obter corais capazes de aguentar águas mais quentes. "Os corais ainda guardam muitos segredos", diz Jamie Craggs, biólogo especializado em reprodução de corais e cofundador da CSI, com Kate Craggs.

Craggs criou antes o Project Coral, que segundo a CSI conseguiu pela primeira vez desovas previsíveis de corais em ambiente controlado. A organização já instalou sistemas de reprodução em vários países, incluindo um laboratório nas Seicheles com a Nature Seychelles. A Canon participa através da iniciativa World Unseen e da filial britânica da Canon Medical Systems, cuja especialista Sally Davey vê aplicações também na medicina humana, da cirurgia minimamente invasiva ao diagnóstico de doenças de pele.

Convém ler o resultado com cautela. A descrição de "primeira ecografia do mundo" a corais vivos vem das empresas envolvidas, não foi divulgado o número de colónias examinadas nem onde decorreu o teste, e ainda não há artigo científico revisto por pares. Os corais usados vão continuar a ser acompanhados durante seis meses, com registos no momento em que libertarem os gâmetas.
