# El Niño de 2026 pode ser o mais forte desde 1950: o que os satélites veem e o que significa para Portugal

> A NASA mostrou como os satélites seguem o fenómeno desde janeiro: o mar subiu até 40 centímetros junto à América do Sul e o Pacífico ficou mais azul por falta de plâncton. A agência norte-americana NOAA dá 83% de probabilidade a um episódio histórico. Por cá, o IPMA espera efeitos indiretos e fracos.

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- Categoria: Ciência e Espaço
- Formato: Explicador
- Autoria: Redação
- Publicado: 17 de outubro de 2026
- Etiquetas: El Niño, NASA, Clima, Satélites, IPMA

## Em resumo

- A NOAA dá 83% de probabilidade de o El Niño ultrapassar, entre outubro e dezembro, a força de todos os episódios registados desde 1950.
- Em partes do Pacífico equatorial oriental, a temperatura da superfície do mar já está mais de 4 °C acima do normal.
- Os satélites Sentinel-6 mostram o mar até 30 a 40 centímetros mais alto em algumas zonas e 15 a 20 centímetros mais baixo junto à Indonésia.
- O satélite PACE, da NASA, regista um Pacífico equatorial mais azul, sinal de que há menos fitoplâncton.
- Segundo o IPMA, a influência do El Niño em Portugal é indireta e pouco significativa, e passa sobretudo pela Oscilação do Atlântico Norte.

O El Niño que se está a formar no Pacífico pode tornar-se o mais intenso de que há registo. A NASA publicou esta semana uma série de mapas que mostram como os seus satélites acompanham o fenómeno desde o início do ano, numa altura em que a agência norte-americana NOAA calcula em 83% a probabilidade de, entre outubro e dezembro, o episódio superar a força de todos os anteriores desde 1950. Para quem vive em Portugal, a pergunta óbvia é se isto vai mexer com o inverno, e a resposta do IPMA é mais cautelosa do que os números fazem prever.

## Como começa um El Niño

O El Niño é um padrão climático natural que surge, em média, a cada dois a sete anos, quando a água de parte do Pacífico equatorial aquece acima do normal. Segundo a NASA, o primeiro sinal deste episódio apareceu em janeiro, perto da Micronésia: uma onda de Kelvin, um pulso de água quente com milhares de quilómetros que atravessa o oceano de oeste para leste. A água aquece o ar, os ventos alísios enfraquecem ou invertem-se e o mar sobe ainda mais do lado americano, num efeito em cadeia.

No início de abril, essas ondas já tinham chegado ao Pacífico oriental. A NOAA indicava a 8 de outubro anomalias de temperatura superiores a 4 °C em partes dessa região e de 2,1 °C na zona de referência Niño 3.4. O limiar de um episódio histórico, segundo a agência, é uma média de três meses de 2,5 °C ou mais. Para setembro a novembro, a probabilidade de o atingir é de 54%, sobe para 83% em outubro a dezembro e desce para 70% em novembro a janeiro.

## O que os satélites veem

A água quente ocupa mais volume, por isso o nível do mar é um dos melhores indicadores. Os satélites Sentinel-6, que medem a altura de todo o oceano a cada dez dias, mostram o mar 30 a 40 centímetros acima do normal em algumas zonas, com a água a deslizar em direção à América do Sul e a subir a costa até à Califórnia. Junto à Indonésia e ao norte da Austrália, o nível está 15 a 20 centímetros abaixo do habitual.

A cor do mar também mudou. O satélite PACE, lançado pela NASA em 2024 e a acompanhar o seu primeiro El Niño, mede a cor do oceano em centenas de comprimentos de onda. Ao longo do equador, as águas normalmente esverdeadas pelo fitoplâncton estão mais azuis. Com os alísios mais fracos, sobe menos água profunda e rica em nutrientes, o plâncton diminui e os efeitos propagam-se pela cadeia alimentar marinha.

## E em Portugal?

Numa análise publicada em junho, o IPMA escreveu que a influência do El Niño em Portugal é indireta e muito pouco significativa quando comparada com regiões como a América do Sul ou a Austrália. A ligação faz-se sobretudo pela Oscilação do Atlântico Norte, que condiciona a chuva e a temperatura na Península Ibérica no inverno. Muitos episódios de El Niño tendem a favorecer uma fase positiva dessa oscilação no início do inverno, com menos depressões a chegar ao país e tempo mais seco, mas o instituto sublinha que estas associações não são estatisticamente significativas.

O IPMA nota ainda que, nos últimos dez anos, os extremos no continente parecem mais ligados ao aquecimento da atmosfera e à circulação no Atlântico do que ao El Niño. A próxima atualização da NOAA está marcada para 12 de novembro.
