# Escudo térmico da Orion perdeu dez vezes menos material na Artemis II do que no primeiro voo à Lua, diz a NASA

> Seis meses depois do regresso dos quatro astronautas, a NASA fechou a análise ao escudo que protegeu a cápsula a mais de 2.200 graus. A mudança na trajetória de reentrada resultou, e as lições já seguem para a Artemis III, que vai levar um astronauta europeu.

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- Categoria: Ciência e Espaço
- Autoria: Redação
- Publicado: 18 de outubro de 2026
- Etiquetas: NASA, Artemis II, Orion, Lua, ESA

## Em resumo

- A análise da NASA confirma que o escudo térmico da Orion se comportou como previsto na reentrada da Artemis II, a 10 de abril de 2026.
- O escudo teve nove zonas com perda de material carbonizado, contra 103 no voo não tripulado da Artemis I.
- A NASA atribui a melhoria a uma trajetória de reentrada mais curta, que reduziu o tempo do escudo na faixa de temperatura crítica.
- Lá fora, a cápsula enfrentou mais de 2.200 graus Celsius; dentro, a cabine ficou à volta dos 24 graus.
- A Artemis III, prevista para o próximo ano em órbita da Terra, leva o astronauta Luca Parmitano, da Agência Espacial Europeia.

A NASA concluiu a análise detalhada ao escudo térmico da cápsula Orion que trouxe de volta os quatro astronautas da Artemis II, a primeira missão com tripulação do programa a dar a volta à Lua. Segundo a agência, o escudo comportou-se dentro do previsto e sofreu muito menos danos do que no voo de ensaio sem tripulação, a Artemis I. Na reentrada, a Orion chegou a 39 vezes a velocidade do som e enfrentou temperaturas exteriores acima dos 4.000 graus Fahrenheit, mais de 2.200 graus Celsius. Lá dentro, a cabine manteve-se à volta dos 24 graus.

## O que mudou desde a Artemis I

No primeiro voo, o escudo regressou com pedaços de material carbonizado arrancados da superfície, um fenómeno que a NASA investigou durante meses, com ensaios em túneis de arco elétrico no centro Ames, na Califórnia. A solução para a Artemis II passou pela trajetória: a agência encurtou a distância máxima que a cápsula podia percorrer entre a entrada na atmosfera e a amaragem no Pacífico. Assim, o escudo passou menos tempo na faixa de temperatura em que o problema tinha surgido.

O resultado, segundo a NASA, foi uma redução de dez vezes nas fissuras e na perda de material. Os engenheiros contaram apenas nove zonas afetadas no escudo da Artemis II, contra 103 no da Artemis I. A reentrada também foi precisa: a cápsula entrou na atmosfera a menos de 60 metros do ponto previsto e amarou a cerca de 950 metros do local estimado, ao largo de San Diego, a 10 de abril.

## Como foi feita a análise

O escudo é formado por 186 blocos de Avcoat, um material ablativo que se vai consumindo para dissipar o calor. Depois das primeiras imagens tiradas por mergulhadores da Marinha norte-americana logo após a amaragem, o escudo foi examinado no Centro Espacial Kennedy e seguiu em agosto para o centro Marshall, no Alabama, onde estão a ser extraídas amostras e feitas radiografias ao interior do material. A equipa comparou ainda digitalizações a laser da superfície, antes e depois do voo, para medir quanto material se perdeu.

A parte lateral da cápsula, coberta por cerca de 1.300 placas cerâmicas, também não mostrou sinais de sobreaquecimento nas janelas, nas saídas de ar, nos propulsores nem na escotilha. A cor alaranjada visível entre os blocos é esperada, explica a NASA: o silicone que preenche as juntas contém óxido de ferro e fica avermelhado depois da reentrada.

## O que vem a seguir

As conclusões alimentam a Artemis III, cujo escudo já recebeu alterações para que os blocos de Avcoat sejam mais uniformes. O escudo foi montado em julho e a cápsula já foi ligada pela primeira vez. A missão está prevista para o próximo ano e fica em órbita da Terra, para ensaiar o encontro com protótipos dos módulos de alunagem da Blue Origin e da SpaceX.

A tripulação inclui os astronautas da NASA Randy Bresnik, Frank Rubio e Andre Douglas, e Luca Parmitano, da Agência Espacial Europeia. A primeira alunagem do programa fica para a Artemis IV, em 2028, segundo a agência norte-americana.
