# Gelo marinho da Antártida teve em 2026 o terceiro máximo mais baixo desde que há satélites

> No pico do inverno austral, a 14 de setembro, o gelo à volta da Antártida cobriu 17,59 milhões de quilómetros quadrados, segundo a NASA. Um estudo recente explica também o buraco quase do tamanho de Portugal que se abriu nesse gelo em 2024, onde nunca tinha sido visto.

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- Categoria: Ciência e Espaço
- Autoria: Redação
- Publicado: 15 de outubro de 2026
- Etiquetas: Antártida, Gelo marinho, NASA, Alterações climáticas, Satélites

## Em resumo

- O gelo marinho da Antártida atingiu o máximo anual a 14 de setembro de 2026, com cerca de 17,59 milhões de km².
- É o terceiro máximo mais baixo desde que os satélites começaram a medir, no fim de 1978; o recorde negativo é de 2023.
- Depois de décadas de ligeiro aumento, o gelo antártico começou a cair em 2016 e tem ficado abaixo do normal.
- Em agosto de 2024 abriu-se na baía de Breid uma área de mar aberto de cerca de 89 100 km², quase do tamanho de Portugal.
- Um estudo na Geophysical Research Letters liga esse buraco a seis rios atmosféricos intensos e a água quente vinda do fundo.

O gelo que se forma todos os invernos no oceano à volta da Antártida voltou a ficar longe dos valores habituais. Segundo a NASA e o National Snow and Ice Data Center (NSIDC), dos EUA, o gelo marinho antártico terá atingido a extensão máxima de 2026 a 14 de setembro, com cerca de 17,59 milhões de quilómetros quadrados. É o terceiro máximo mais baixo desde que há registos por satélite, que começaram no fim de 1978.

Na Antártida, o gelo marinho cresce até setembro, no fim do inverno do hemisfério sul, e recua até fevereiro. Como o continente está rodeado de oceano, o gelo tem espaço para avançar muito no inverno, mas chega a latitudes mais quentes e derrete mais no verão. A NASA lembra que tanto o mínimo como o máximo mais baixos de sempre foram registados em 2023.

## Uma tendência que se inverteu

Entre 1979 e 2014, o gelo marinho antártico chegou a crescer cerca de 1% por década, com recordes de extensão no inverno em 2012, 2013 e 2014, numa altura em que o gelo do Ártico já estava em queda acentuada. Essa subida acabou em 2015 e, a partir de 2016, começaram as descidas significativas. Desde então houve anos de pequena recuperação, mas a extensão tem ficado, no geral, abaixo do normal. A NASA sublinha que os cientistas vão continuar a acompanhar a região para perceber se a queda é uma mudança de longo prazo ou uma flutuação estatística.

As medições são feitas por satélites com sensores de micro-ondas passivos, que captam a energia emitida naturalmente pela superfície. O gelo emite mais do que a água, por isso destaca-se nas imagens, e as micro-ondas atravessam as nuvens, o que permite observar a região com qualquer tempo. Desde 2025, a série usa dados do satélite GCOM-W, da agência espacial japonesa.

## Um buraco quase do tamanho de Portugal

Um estudo da revista Geophysical Research Letters, divulgado no início de outubro, ajuda a perceber como o gelo pode falhar de repente. Em agosto de 2024 abriu-se na baía de Breid, no leste da Antártida, uma polínia (uma zona de mar aberto rodeada de gelo) que no pico, a 8 de agosto, chegou a cerca de 89 100 quilómetros quadrados, quase a área de Portugal, segundo a revista Geographical. Encolheu depressa e voltou a gelar em meados desse mês, mas nos registos de satélite desde 1979 aquela zona tinha estado sempre coberta de gelo em julho e agosto.

A equipa, liderada pelo investigador Jeebanjyoti Swain, atribui o fenómeno a uma combinação rara. Seis rios atmosféricos intensos, corredores de ar quente e húmido, chegaram à região em julho e agosto de 2024, com neve forte e vento. Os ventos fizeram subir água mais quente das camadas de baixo, e ondas de calor marinhas travaram ainda mais a formação de gelo. Os autores admitem que estes buracos se tornem mais frequentes em zonas onde o gelo sempre foi estável, à medida que o aquecimento global reforça os rios atmosféricos e prolonga as ondas de calor.
