# Google reduz 40 vezes os erros num dos passos mais caros da computação quântica, no chip Willow

> Há 20 anos que os investigadores sabiam que os chamados estados mágicos iam ser um gargalo: são indispensáveis e podem gastar quase toda a capacidade de um computador quântico. A equipa da Google mostrou na revista Science uma forma de os produzir com muito menos erros.

- Publicação: MEGAzine (https://megazine.pt/)
- Endereço: https://megazine.pt/ciencia-e-espaco/google-reduz-40-vezes-os-erros-num-dos-passos-mais-caros-da-computacao-quantica
- Categoria: Ciência e Espaço
- Autoria: Redação
- Publicado: 18 de outubro de 2026
- Etiquetas: Computação quântica, Google, Willow, Ciência

## Em resumo

- A Google Quantum AI publicou na Science, a 15 de outubro, a primeira demonstração prática da técnica de cultivo de estados mágicos.
- No processador Willow, o método reduziu os erros cerca de 40 vezes em relação aos estados produzidos sem ele.
- Os estados obtidos atingiram uma fidelidade lógica de 99,99%, um recorde segundo a empresa.
- Algumas estimativas apontam que até 95% da capacidade de um computador quântico poderia ir só para produzir estes estados.
- A Google admite que ainda falta demonstrar a técnica em maior escala e não dá data para um computador quântico útil.

A equipa de computação quântica da Google anunciou ter resolvido na prática um problema que os investigadores tinham identificado em 2004: como produzir, sem gastar quase todos os recursos da máquina, os chamados estados mágicos. O trabalho foi publicado a 15 de outubro na revista Science e foi feito no Willow, o processador quântico que a empresa apresentou em dezembro de 2024. Segundo a Google, a técnica reduziu os erros cerca de 40 vezes em comparação com os mesmos estados produzidos sem ela.

## Porque são precisos estados mágicos

Os computadores quânticos fazem contas com qubits, que se estragam com muita facilidade porque trocam informação com o ambiente à sua volta. Para os tornar úteis, é preciso corrigir esses erros enquanto o cálculo decorre, e é aí que entram os estados mágicos. Sem eles, explica a Google, não se consegue executar com correção de erros o conjunto completo de operações que permite ir além do que um computador clássico faz.

O problema é o preço. Criar estados mágicos com qualidade suficiente consome tantos recursos que algumas estimativas apontam para até 95% da capacidade total de um computador quântico dedicada só a essa tarefa. Para piorar, cada estado só pode ser usado uma vez. Nas últimas duas décadas, a investigação foi baixando esse custo aos poucos.

## Como funciona o cultivo

Em 2024, os investigadores da Google Craig Gidney, Noah Shutty e Cody Jones propuseram uma técnica a que chamaram cultivo de estados mágicos. Funciona como um filtro: injeta-se um estado com ruído numa pequena zona do chip e faz-se uma série de medições coordenadas para detetar erros, deitando fora as tentativas defeituosas. O que sobra é um estado muito puro, que vai crescendo até ficar numa forma maior e utilizável.

Passar da teoria para o laboratório levou tempo. A investigadora Emma Rosenfeld conta no blogue da empresa que os primeiros dados pareciam contrariar as leis da física, até se perceber que o ruído causado pela deriva de equipamentos elétricos e por variações de temperatura estava a enganar o método de medição. A equipa teve de criar uma nova forma de aferir os resultados, usando o próprio cultivo para se medir a si mesmo. No fim, os estados obtidos chegaram a uma fidelidade lógica de 99,99%, que a Google apresenta como recorde.

## O que ainda falta

A equipa mostrou também que estes estados podem passar de um tipo de código de correção de erros para outro, mais usado, sem se degradarem pelo caminho. É uma peça importante para os integrar numa arquitetura completa.

A própria Google reconhece que ainda é preciso demonstrar o cultivo em maior escala e que há muitos desafios técnicos pela frente. A empresa diz que o objetivo continua a ser um computador quântico com correção de erros capaz de resolver problemas hoje impossíveis, mas não indica quando lá espera chegar.
