# Icebergue A-81, com 1.550 km², chega à Geórgia do Sul mais de três anos depois de se soltar da Antártida

> Um satélite da NASA apanhou o gigante de gelo a abrandar junto à plataforma submarina da ilha, no Atlântico Sul, a 2.300 quilómetros do sítio onde nasceu. No ano passado, outro icebergue encalhou no mesmo local e acabou por se partir.

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- Categoria: Ciência e Espaço
- Autoria: Redação
- Publicado: 2 de novembro de 2026
- Etiquetas: Antártida, Icebergues, NASA, Satélites, Clima

## Em resumo

- O icebergue A-81 tem cerca de 1.550 quilómetros quadrados e soltou-se da plataforma de gelo Brunt, na Antártida, em janeiro de 2023.
- Passou mais de três anos no mar de Weddell, levado pela corrente circular da região, e chegou à ponta da Península Antártica em maio de 2026.
- A 20 de outubro, o instrumento MODIS do satélite Terra mostrou-o a abrandar junto à plataforma submarina da Geórgia do Sul.
- Em 2025, o icebergue A-23A encalhou nessa plataforma e partiu-se mais tarde.
- A plataforma Brunt, onde fica a estação britânica Halley, largou três grandes icebergues desde 2021; o A-83 segue agora atrás do A-81.

Um icebergue gigante que se soltou da Antártida em 2023 chegou à Geórgia do Sul, uma ilha remota no Atlântico Sul. O A-81, com cerca de 1.550 quilómetros quadrados, aparece numa imagem captada a 20 de outubro pelo instrumento MODIS do satélite Terra, da NASA, e publicada pelo Earth Observatory a 27 de outubro. Nos dias anteriores, o icebergue tinha abrandado de forma visível e parecia estar a roçar o limite da plataforma submarina que rodeia a ilha, segundo Jan Lieser, do serviço meteorológico australiano, e Christopher Shuman, investigador da Universidade de Maryland já reformado.

## Quase quatro anos de viagem

O A-81 soltou-se da plataforma de gelo Brunt, na Antártida, em janeiro de 2023. Ao contrário de outros icebergues, que ficam décadas encalhados perto do sítio onde nasceram ou andam às voltas junto à costa, este seguiu uma rota conhecida para fora do mar de Weddell. Mesmo assim, passou lá mais de três anos, arrastado pela corrente circular que gira no sentido dos ponteiros do relógio nessa região.

Em maio de 2026 chegou à ponta da Península Antártica. Depois subiu para o mar da Escócia e, no fim de outubro, aproximou-se da Geórgia do Sul, a 2.300 quilómetros a norte-noroeste da plataforma Brunt. A ilha não é estranha a estes visitantes: em 2025, o icebergue A-23A encalhou na mesma plataforma submarina e acabou por se partir.

## Uma fenda que demorou décadas a abrir

O A-81 também demorou a nascer. A fenda que o separou, conhecida como Chasm 1, esteve relativamente estável durante cerca de 35 anos. Por volta de 2012 voltou a crescer e, em 2019, avançava tão depressa que a rutura parecia iminente, mas o gelo flutuante aguentou-se até janeiro de 2023.

A NASA sublinha que a formação de icebergues faz parte do ciclo normal de uma plataforma de gelo. Ainda assim, os cientistas vigiam a Brunt com atenção, porque largou vários icebergues grandes em pouco tempo e é lá que fica a estação Halley, do British Antarctic Survey, uma base de investigação atmosférica, terrestre e espacial desde a década de 1950.

## Outros icebergues no mesmo caminho

Além do A-81, a plataforma Brunt deu origem ao A-74, em 2021, e ao A-83, em 2024, este último a partir de uma fenda chamada Halloween Crack. O A-74 já se desfez. O A-83 continua inteiro e segue para norte atrás do A-81, com vários outros icebergues que parecem estar a sair do mar de Weddell. Falta saber se o A-81 vai encalhar na plataforma da Geórgia do Sul, como o A-23A, ou se contorna a ilha e continua a viagem.
