# James Webb localiza a rajada rápida de rádio mais distante de sempre numa pequena galáxia anã

> O sinal FRB 20240304B partiu quando o Universo tinha cerca de 3 mil milhões de anos e veio de uma galáxia mil vezes menos maciça do que se esperava. Para Manisha Caleb, da Universidade de Sydney, o resultado torna muito improvável que tenha nascido da colisão de duas estrelas de neutrões.

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- Categoria: Ciência e Espaço
- Autoria: Redação
- Publicado: 13 de outubro de 2026
- Etiquetas: James Webb, Astronomia, Rajadas rápidas de rádio, ESA, NASA

## Em resumo

- A rajada FRB 20240304B foi detetada a 4 de março de 2024 pelo radiotelescópio MeerKAT, na África do Sul.
- O James Webb encontrou a galáxia de origem, que os maiores telescópios terrestres não conseguiam ver.
- O desvio para o vermelho de 2,148 coloca o sinal cerca de 3 mil milhões de anos depois do Big Bang.
- A galáxia é anã e jovem, o que favorece a hipótese de estas rajadas virem de magnetares.
- O estudo foi publicado na revista Science a 8 de outubro de 2026.

O telescópio espacial James Webb identificou a galáxia de onde partiu a rajada rápida de rádio mais distante alguma vez registada. O sinal, batizado FRB 20240304B, viajou desde uma época em que o Universo tinha cerca de 3 mil milhões de anos, e a galáxia que o emitiu revelou-se muito mais pequena e jovem do que os astrónomos contavam. O estudo saiu a 8 de outubro na revista Science.

## Um clarão de milésimos de segundo

As rajadas rápidas de rádio, FRB na sigla inglesa, são clarões de ondas de rádio que duram milésimos de segundo e chegam de galáxias distantes. Foram descobertas em 2007 e a origem continua por esclarecer, até porque a maioria é vista uma única vez. Esta foi captada a 4 de março de 2024 pelo radiotelescópio MeerKAT, na África do Sul, e os dados sugeriam logo uma distância fora do comum.

Para a confirmar era preciso encontrar a galáxia de origem. A equipa sabia com precisão de que ponto do céu vinha o sinal, mas os maiores telescópios terrestres não viam lá nada. Foi a câmara NIRCam do Webb que detetou a galáxia, e o espectrógrafo NIRSpec mediu-lhe um desvio para o vermelho de 2,148. Este valor indica quanto a expansão do Universo esticou a luz durante a viagem e, por isso, a que distância está a fonte. A grande maioria das rajadas conhecidas aconteceu milhares de milhões de anos mais tarde.

## Uma galáxia mais pequena do que se esperava

A surpresa veio com o tamanho. A galáxia tem mil vezes menos massa do que a equipa previa e estava a formar estrelas a bom ritmo, ao ponto de a maior parte poder ter nascido em apenas 30 milhões de anos. A equipa contava encontrar uma galáxia grande e bem formada, cheia de estrelas, e deu com uma pequena galáxia anã, descreveu Manisha Caleb, da Universidade de Sydney, primeira autora do estudo.

O pormenor pesa na discussão sobre o que provoca estas rajadas. Uma das hipóteses aponta para a fusão de duas estrelas de neutrões, um processo que demora milhares de milhões de anos e que, por isso, deveria ocorrer em galáxias velhas. A outra atribui-as aos magnetares, estrelas de neutrões jovens com campos magnéticos extremos, que podem surgir pouco depois da explosão de uma estrela maciça. Uma galáxia tão nova encaixa na segunda, e Caleb considera muito improvável que este sinal tenha vindo de uma fusão.

## Uma lanterna para ver o que não se vê

O sinal trouxe ainda informação sobre o caminho que percorreu. Ao atravessar o espaço, uma rajada destas fica marcada pela matéria que encontra, e os investigadores identificaram nela a assinatura de duas estruturas: um enxame de galáxias até agora desconhecido, a cerca de 3,5 mil milhões de anos-luz da Terra, e o Enxame da Virgem, a cerca de 54 milhões de anos-luz.

A equipa estima que o MeerKAT consiga detetar e localizar, todos os anos, várias rajadas emitidas quando o Universo tinha menos de metade da idade atual, e outros radiotelescópios estão a entrar em funcionamento. O Webb, uma parceria entre a NASA, a Agência Espacial Europeia e a agência espacial canadiana, será necessário para estudar as galáxias de onde vêm.
