# James Webb mostra o berçário de estrelas N159, uma nebulosa com menos de três milhões de anos noutra galáxia

> A nova imagem do mês do telescópio espacial mostra nuvens de gás a 161 mil anos-luz, na Grande Nuvem de Magalhães, onde milhares de estrelas estão a nascer. As condições lá são parecidas com as do Universo primitivo, e a imagem pode ser descarregada em tamanho de fundo de ecrã.

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- Categoria: Ciência e Espaço
- Autoria: Redação
- Publicado: 25 de outubro de 2026
- Etiquetas: James Webb, ESA, Nebulosas, Astronomia, Grande Nuvem de Magalhães

## Em resumo

- A ESA publicou a 22 de outubro uma imagem do James Webb da região de formação de estrelas N159, a 161 mil anos-luz da Terra.
- A N159 fica na Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia satélite da Via Láctea, e a área fotografada tem cerca de 230 anos-luz de largura.
- Com menos de três milhões de anos, é uma das regiões de formação de estrelas mais jovens dessa galáxia e tem milhares de estrelas nas primeiras fases de vida.
- Os dados do Webb permitiram detetar estrelas muito ténues com menos de um décimo da massa do Sol.
- A imagem está disponível no site esawebb.org em formatos para fundo de ecrã de computador e de telemóvel.

O telescópio espacial James Webb apontou a uma maternidade de estrelas numa galáxia vizinha da nossa. A imagem do mês divulgada a 22 de outubro pela Agência Espacial Europeia (ESA) mostra a N159, uma região de formação de estrelas na Grande Nuvem de Magalhães, uma das galáxias satélite que orbitam a nossa. Está a 161 mil anos-luz da Terra, na direção da constelação do Dourado, e a área fotografada tem cerca de 230 anos-luz de uma ponta à outra.

## O que se vê na imagem

A N159 é uma região HII, nome que os astrónomos dão às zonas cheias de hidrogénio ionizado. Nestes berçários, nuvens frias de gás colapsam com a própria gravidade e dão origem a estrelas novas, muitas delas enormes e muito quentes. A radiação ultravioleta dessas estrelas ioniza o gás à volta, que passa a emitir luz, e os ventos estelares escavam cavidades e cristas na nuvem. A câmara NIRCam do Webb, que observa no infravermelho próximo, regista essas formas com grande pormenor.

As cores têm significado. As nuvens cor de laranja correspondem a luz emitida por hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, moléculas de carbono importantes na química do espaço. As bolsas azul-claras são gás ionizado pelas estrelas maciças. Os filamentos vermelho-escuros que cruzam o centro são hidrogénio molecular frio, a parte mais densa da nebulosa, onde há estrelas a formar-se ainda protegidas da radiação. Na imagem completa, a mancha brilhante à esquerda é a Nebulosa Papillon, uma bolha compacta de hidrogénio ionizado que o Hubble observou com detalhe pela primeira vez em 1999.

## Uma janela para o Universo primitivo

Com menos de três milhões de anos, a N159 é uma das regiões de formação de estrelas mais jovens da Grande Nuvem de Magalhães e tem milhares de estrelas nas primeiras fases de vida. Há outra razão para os astrónomos olharem para ali. Essa galáxia tem uma proporção de elementos mais pesados do que o hidrogénio e o hélio bem menor do que a Via Láctea, o que a aproxima das condições do Universo primitivo e ajuda a perceber como se formavam as estrelas nessa época.

Os dados vêm de um programa de observação que compara estrelas em diferentes fases de evolução. No artigo científico que os analisou, os investigadores conseguiram detetar estrelas muito ténues, com menos de um décimo da massa do Sol, e distinguir estrelas já formadas das que ainda estão envoltas nas nuvens onde nascem. Concluíram também que a parte ocidental da N159 tem mais estrelas jovens e mais concentradas, sinal de que está numa fase mais precoce do colapso.

A imagem pode ser descarregada gratuitamente na página da ESA/Webb, em vários tamanhos, incluindo formatos prontos para fundo de ecrã de computador e de telemóvel. O original tem 9694 por 6463 píxeis, e a ESA exige que quem a usar indique os créditos completos.
