# NASA abre ao público 800 GB de dados da Artemis II, com mais de 11 mil imagens da Lua

> Fotografias em resolução total, 8,5 horas de gravações da tripulação e imagens anotadas à mão pelos astronautas: o arquivo científico do primeiro voo tripulado à volta da Lua em mais de 50 anos já pode ser consultado por qualquer pessoa.

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- Categoria: Ciência e Espaço
- Autoria: Redação
- Publicado: 13 de outubro de 2026
- Etiquetas: NASA, Artemis II, Lua, Orion

## Em resumo

- A NASA publicou a 7 de outubro de 2026 mais de 800 GB de dados científicos da Artemis II no Planetary Data System.
- O arquivo tem mais de 11 mil imagens e vídeos em resolução total e 8,5 horas de áudio com as observações da tripulação.
- Os astronautas viram cinco clarões de impactos na Lua, provavelmente os mais ténues alguma vez observados a olho nu.
- Na passagem de 6 de abril, a cápsula Orion chegou a 6.545 quilómetros da superfície lunar.
- O arquivo é público e está em pds-geosciences.wustl.edu/missions/artemis2.

Seis meses depois de a Artemis II ter levado quatro astronautas à volta da Lua, a NASA abriu o arquivo científico da missão. Desde 7 de outubro estão no Planetary Data System, o repositório público das missões planetárias da agência, mais de 800 gigabytes de dados, parte deles nunca antes divulgada. São mais de 11 mil imagens e vídeos em resolução total, captados com as câmaras de mão da tripulação e com as da cápsula Orion, 8,5 horas de gravações com as observações científicas feitas a bordo e imagens anotadas pelos próprios astronautas.

A agência descreve o conjunto como o primeiro arquivo de ciência planetária recolhido sobretudo por pessoas em mais de meio século. Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da NASA, e Jeremy Hansen, da agência espacial canadiana, tiveram formação em geografia e geologia lunar antes do voo. Na passagem pela Lua, a 6 de abril, revezaram-se durante cerca de sete horas às janelas da Orion a fotografar, a anotar e a descrever o que viam. No ponto mais próximo ficaram a 6.545 quilómetros da superfície.

## Clarões na escuridão e uma Lua com cores

O relatório preliminar que acompanha os dados destaca cinco clarões muito ténues, vistos quando a Orion estava a cerca de 74 mil quilómetros da Lua. Depois de excluir raios cósmicos e reflexos na nave, a equipa científica atribuiu-os a impactos de rochas com poucos centímetros, que chegam à superfície a milhares de quilómetros por hora. Os astronautas das missões Apollo viram fenómenos parecidos a partir da órbita lunar, mas estes serão os mais fracos alguma vez registados a olho nu. Saber com que frequência acontecem interessa a quem vai desenhar as futuras bases lunares.

A tripulação descreveu também tons que as fotografias nem sempre mostram. Os azulados apontam para rochas vulcânicas ricas em titânio, os castanhos para diferentes teores de ferro e os esverdeados para vidro formado em erupções ou em impactos de asteroides. Junto ao terminador, a linha que separa o dia da noite, a luz rasante fazia sobressair crateras e montanhas, em condições parecidas com as que se esperam perto do polo sul. Durante 54 minutos, os quatro assistiram ainda a um eclipse do Sol pela Lua, muito mais longo do que qualquer eclipse total visto da Terra.

## Como consultar o arquivo

Os dados estão em [pds-geosciences.wustl.edu/missions/artemis2](https://pds-geosciences.wustl.edu/missions/artemis2/index.htm), o nó de geociências do Planetary Data System, e são de acesso público. Além das imagens e do áudio, há três documentos: o relatório preliminar de ciência lunar, o relatório das operações científicas e um guia de utilização dos dados. Vale a pena começar por este último, porque o arquivo está organizado a pensar em investigadores e não em quem procura só uma boa fotografia.

Para isso, a NASA reuniu as imagens mais marcantes numa [página à parte](https://science.nasa.gov/feature/artemis-ii-preliminary-lunar-science-report/), com as anotações dos astronautas e a explicação de cada uma. Entre as vistas da Terra há uma em que se distinguem as luzes das cidades do norte de África e da Península Ibérica. Segundo a agência, os relatórios já estão a ser usados no planeamento da Artemis III e das missões seguintes.
