# NASA pede ideias a empresas privadas para subir o Hubble, que deve cair na atmosfera em 2033 ou 2034

> O telescópio espacial não tem motores e está a descer devagar por causa do atrito da atmosfera. A NASA quer saber se a indústria consegue empurrá-lo para mais alto, repará-lo ou, no fim, fazê-lo cair em segurança. As respostas podem ser enviadas até 30 de novembro.

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- Categoria: Ciência e Espaço
- Autoria: Maria Isadora Amado
- Publicado: 4 de novembro de 2026
- Etiquetas: Hubble, NASA, ESA, Telescópios espaciais

## Em resumo

- A NASA publicou a 29 de outubro um pedido de informação dirigido a empresas com capacidade para fazer manutenção no espaço.
- Em cima da mesa estão três hipóteses: subir o Hubble para uma órbita mais alta, melhorá-lo ou fazê-lo reentrar de forma controlada.
- Sem sistema de propulsão próprio, o telescópio deve reentrar na atmosfera entre 2033 e 2034, segundo a análise da agência.
- A NASA estima que uma missão teria de acontecer até 2032.
- As empresas podem responder até às 20h00 de Lisboa de 30 de novembro.

O telescópio espacial Hubble, lançado em 1990, pode ter uma segunda vida graças a empresas privadas. A NASA publicou a 29 de outubro um pedido de informação para saber que capacidades tem a indústria para fazer manutenção no espaço e o que poderia fazer pelo telescópio, que é um projeto conjunto da agência norte-americana com a Agência Espacial Europeia (ESA). Não se trata ainda de uma encomenda: é uma consulta ao mercado, aberta até às 20h00 de Lisboa de 30 de novembro.

## Um telescópio sem motores a perder altitude

Como todos os satélites em órbita baixa, o Hubble está a descer aos poucos por causa do atrito com as camadas altas da atmosfera. O problema é que não tem um sistema de propulsão para corrigir a órbita. Segundo a análise da NASA, o mais provável é reentrar na atmosfera entre 2033 e 2034, por isso uma eventual missão teria de acontecer até 2032.

O pedido de informação abre três caminhos. O primeiro é uma missão para empurrar o telescópio para uma órbita mais alta e prolongar o tempo de ciência. O segundo é fazer manutenção para melhorar as capacidades do Hubble. O terceiro, para o fim da missão, é garantir uma reentrada controlada e segura ou retirá-lo da órbita de outra forma.

O administrador da NASA, Jared Isaacman, defende que, se houver formas inovadoras e baratas de prolongar a vida de um aparelho que já está em órbita, a agência tem obrigação de as estudar. A responsável pela ciência da NASA, Nicky Fox, nota que a indústria evoluiu muito nos últimos anos na captura e manutenção de satélites em órbita, e que o objetivo é manter o Hubble a funcionar enquanto se prepara a grande missão que o há de suceder.

## Cinco visitas de astronautas, a última em 2009

O Hubble foi o primeiro observatório espacial desenhado para ser reparado por astronautas em órbita. Recebeu cinco missões de manutenção com o vaivém espacial, e 32 astronautas voaram nessas viagens. A primeira, em dezembro de 1993, corrigiu a aberração no espelho principal que tirava nitidez às primeiras imagens. A última foi em maio de 2009, numa missão que a NASA descreve como o renascer do telescópio.

Desta vez, a NASA quer saber o que as empresas privadas conseguem fazer, em vez de partir de uma missão desenhada pela própria agência. O Goddard Space Flight Center gere o telescópio e as operações, e o Space Telescope Science Institute, em Baltimore, trata da parte científica.

O que falta saber é quem responde, quanto custaria cada opção e se haverá dinheiro para avançar. A NASA não indicou quando vai decidir.
