# Novas pás de hélice podem levar os helicópteros da NASA a voar 18,7 km em Marte, contra os 0,7 km do Ingenuity

> Investigadores da NASA, do Imperial College London e da Universidade de Nagoya desenharam um perfil de pá mais fino e assimétrico, afinado para o ar rarefeito de Marte. Nas simulações, multiplica por mais de 25 a distância de um voo sem paragens, mas ainda não está pronto para sair da Terra.

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- Categoria: Ciência e Espaço
- Autoria: Redação
- Publicado: 26 de outubro de 2026
- Etiquetas: NASA, Marte, Ingenuity, Helicópteros, Aeronáutica

## Em resumo

- O novo perfil de pá chama-se roamx-0201 e foi desenvolvido no centro Ames da NASA com o Imperial College London e a Universidade de Nagoya, no Japão.
- Segundo as simulações, permite voos seguidos de até 18,7 km com instrumentos científicos a bordo; o Ingenuity chegava a 0,7 km por voo.
- A pá aguenta velocidades mais altas antes de perder rendimento e comporta-se melhor quando o ar a atinge num ângulo desfavorável.
- Os resultados foram publicados a 22 de setembro na revista do Instituto Americano de Aeronáutica e Astronáutica.
- A missão SkyFall, com lançamento previsto para 2028, ainda vai usar pás semelhantes às do Ingenuity; o novo desenho é para missões posteriores.

O Ingenuity provou que é possível voar em Marte. A próxima pergunta da NASA é até onde. Uma equipa do centro de investigação Ames, na Califórnia, trabalhou com o Imperial College London e a Universidade de Nagoya, no Japão, num novo desenho para as pás dos helicópteros marcianos, e os resultados apontam para voos muito mais longos. Segundo as simulações, o perfil batizado roamx-0201 permitiria a uma futura aeronave percorrer até 18,7 quilómetros num único voo, com instrumentos científicos a bordo. O Ingenuity, o primeiro aparelho a fazer um voo controlado noutro planeta, chegava a 0,7 quilómetros.

## Uma pá mais fina para um ar quase sem ar

A atmosfera de Marte é muito rarefeita, e as pás de um helicóptero têm de ser desenhadas de raiz para essas condições. O Ingenuity e os três helicópteros da missão SkyFall, que a NASA prevê lançar em 2028, usam pás com um bordo curvo, parecidas com as de um helicóptero terrestre mas adaptadas a essas condições. O roamx-0201 vai noutro sentido. Os investigadores usaram algoritmos e simulações afinados para Marte, que os levaram a um perfil mais fino, mais afiado e assimétrico, e depois testaram-no em túnel de vento.

Uma das vantagens está na velocidade. Quando a ponta das pás se aproxima da velocidade do som, que em Marte é mais baixa do que na Terra, o rendimento cai de repente, um fenómeno a que os engenheiros chamam divergência de arrasto. A nova pá consegue trabalhar mais tempo a velocidades altas antes de lá chegar. Outra diferença, descrita pela NASA como contraintuitiva, é que o perfil perturba de propósito a fina camada de ar que corre junto ao bordo de ataque, e essa perturbação ajuda a puxar a pá para cima.

## Mais seguro nas manobras difíceis

O desenho também se porta melhor na chamada perda aerodinâmica, quando o ângulo com que o ar atinge a pá muda e a sustentação cai de forma brusca. As pás do Ingenuity perdiam muito rendimento nessa situação. Com o roamx-0201, nas condições estudadas, a quebra é bem menor, o que deixaria os futuros helicópteros voar em segurança numa gama maior de ângulos e recuperar melhor de situações de risco.

Os resultados foram publicados a 22 de setembro na revista científica do Instituto Americano de Aeronáutica e Astronáutica. A NASA sublinha que a tecnologia ainda não está pronta para ir para Marte e que os testes servem sobretudo para perceber porque é que as previsões dos computadores e o comportamento real nem sempre coincidem. A SkyFall ainda voa com pás do tipo do Ingenuity, por isso estas só deverão chegar a missões depois de 2028, sem data definida.
