# Perseverance mede em Marte a poeira mais fina, a que se agarra aos fatos espaciais e pode chegar aos pulmões

> Durante 1.645 dias marcianos, o rover da NASA levou amostras de tecido de fatos espaciais e foi registando o pó que lá ficava. Algumas partículas têm cerca de 100 nanómetros, um tamanho que na Terra está associado a problemas de saúde.

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- Categoria: Ciência e Espaço
- Autoria: Redação
- Publicado: 2 de novembro de 2026
- Etiquetas: Marte, Perseverance, NASA, Astronautas

## Em resumo

- O Perseverance mediu partículas de poeira marciana com menos de 2,5 micrómetros e outras com cerca de 100 nanómetros, abaixo do que se tinha medido até agora.
- As medições foram feitas no pó acumulado em amostras de Teflon, Vectran e vidro basáltico usadas para calibrar os instrumentos PIXL e SHERLOC.
- A eletricidade estática decide que partículas se agarram a cada material, e as mais finas resistiram a anos de condução e perfuração.
- Os resultados foram publicados a 27 de outubro na revista PNAS e servem para desenhar fatos, habitats e regras de exposição para astronautas.
- A poeira de Marte contém percloratos, que podem afetar a tiroide, e ferro reativo, que causa danos nas células, segundo a NASA.

O pó é um dos problemas mais práticos de mandar pessoas a Marte, e o rover Perseverance acaba de dar à NASA as primeiras medições diretas das partículas mais pequenas. Ao longo de 1.645 dias marcianos, um dos instrumentos do rover analisou a poeira que se foi acumulando em pequenas amostras de materiais de fatos espaciais e encontrou grãos com cerca de 100 nanómetros, centenas de vezes mais finos do que um cabelo. O estudo foi publicado a 27 de outubro na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

## Amostras de fatos espaciais no braço do rover

O Perseverance leva no braço robótico cinco quadrados de tecido de fatos espaciais, com 20 milímetros de lado, que servem para calibrar o instrumento SHERLOC. A NASA enviou-os para ver como estes materiais aguentam a superfície de Marte. O instrumento PIXL, um espectrómetro de raios X, tem o seu próprio alvo de calibração, com uma amostra de Teflon e outra de vidro basáltico. Como o Teflon não tem elementos que o PIXL consiga detetar, tudo o que o aparelho regista nessa amostra vem do pó que lá está pousado.

As medições anteriores em Marte só distinguiam grãos a partir de cerca de 3 micrómetros. O PIXL encontrou partículas finas, abaixo de 2,5 micrómetros, e ultrafinas, à volta dos 100 nanómetros. No Teflon do PIXL e no Vectran do SHERLOC, a média ficou nos 2 micrómetros, enquanto no vidro basáltico e no Teflon do SHERLOC havia grãos entre 100 e 300 nanómetros.

## Eletricidade estática e riscos para a saúde

Segundo a equipa, é a eletricidade estática que decide que tamanho de grão se agarra a cada material, porque as partículas ganham carga ao chocar umas com as outras no ar. As mais finas mantiveram-se presas durante anos de viagens e perfurações. "Os torrões maiores acabam por soltar-se, mas as partículas mais pequenas ficam", resumiu Scott VanBommel, da Universidade de Washington em St. Louis, autor principal do artigo.

Isto preocupa porque, na Terra, as partículas abaixo de 2,5 micrómetros entram fundo nos pulmões e podem chegar à corrente sanguínea. A NASA acrescenta que a poeira de Marte tem percloratos, que podem perturbar a tiroide, e ferro reativo, que provoca danos nas células, e que o risco depende da quantidade e do tempo de exposição. Nas missões Apollo, o pó lunar riscou viseiras, desgastou fatos e estragou vedantes, e alguns astronautas tiveram sintomas parecidos com os da febre dos fenos.

## O que muda para as próximas missões

O estudo mostra que polímeros como o Teflon, comuns nas camadas exteriores dos fatos, apanham muito pó fino, e que outros materiais retêm menos. Essa diferença pode orientar a escolha de tecidos e revestimentos para fatos e habitats. A NASA aponta ainda soluções como fatos acoplados ao exterior do habitat, em que o astronauta entra sem trazer o pó para dentro, e câmaras de descompressão duplas. Em março de 2025, a agência já tinha testado na Lua um escudo que usa campos elétricos para limpar o pó de vidros e radiadores.
