# Satélites da NASA mostram a Amazónia a arder com o El Niño e preveem mais fogos até ao fim de 2027

> O fumo dos incêndios cobriu Manaus e fechou escolas. Para os cientistas da NASA, é a segunda peça de um efeito dominó que começou na Indonésia e que deverá chegar ao norte da Amazónia em novembro e ao sul em 2027. E os satélites estão a contar menos fogos do que os que existem.

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- Categoria: Ciência e Espaço
- Autoria: Redação
- Publicado: 16 de outubro de 2026
- Etiquetas: NASA, Amazónia, El Niño, Incêndios, Satélites

## Em resumo

- Desde setembro, os satélites registam um aumento forte dos fogos no centro e no leste da Amazónia, entre Manaus, Santarém e a foz do rio.
- A 12 de outubro, as partículas finas no ar de Manaus passaram os 135 microgramas por metro cúbico, e a cidade fechou escolas.
- Em Manaus choveu menos 95% do que o normal em agosto e menos 60% em setembro, segundo o instituto de meteorologia do Brasil.
- Um cientista da NASA conta 50 a 70 fogos fora de controlo só na região de Santarém, cerca de 40% mais do que os registos automáticos.
- A NASA espera nova vaga de fogos no norte da Amazónia em novembro e dezembro e o pico no sul em agosto e setembro de 2027.

A seca trazida pelo El Niño deixou a floresta amazónica pronta a arder, e os satélites da NASA estão a registar o início do que os cientistas esperam ser uma época de incêndios longa e grave. Desde setembro, as plataformas de monitorização de fogos e de emissões mostram uma subida forte da atividade no centro e no leste da Amazónia, numa faixa que vai das florestas à volta de Manaus e de Santarém até à foz do rio. A imagem destacada pelo Earth Observatory da NASA a 15 de outubro, captada pelo satélite Aqua três dias antes, mostra o fumo a sair dos dois lados do rio Amazonas.

## Manaus debaixo de fumo

Nesse dia, 12 de outubro, a cidade de Manaus, capital do estado do Amazonas e com mais de dois milhões de habitantes, registou partículas finas no ar acima dos 135 microgramas por metro cúbico, o segundo pior nível da escala regional de qualidade do ar. As autoridades fecharam escolas e cancelaram eventos e competições desportivas de crianças. O Instituto Nacional de Meteorologia do Brasil indica que choveu menos 95% do que o normal em agosto e menos 60% em setembro.

Douglas Morton, cientista do centro Goddard da NASA, explica que muitos destes fogos começaram como queimadas para limpar pastos e campos e escaparam para o interior seco da floresta. Como os raios provocam menos de 1% dos incêndios nesta região, quase todos têm origem humana. Morton nota ainda que muitas das florestas que arderam nos El Niño de 2015 e 2023 estão a arder de novo, e que as árvores já danificadas tornam a floresta mais vulnerável.

## Um efeito dominó que vai até 2027

A equipa de Morton descreveu em 2017 uma cascata de fogos nos trópicos ligada ao El Niño: começa com a seca e os fogos de turfa na Indonésia e segue para esta zona da Amazónia. Este ano repete-se, com fumo a cobrir ilhas inteiras na Indonésia desde agosto. A próxima vaga é esperada em novembro e dezembro mais a norte, em Roraima, no norte do Pará, no Amapá e em partes da Venezuela, da Guiana e do Suriname. O risco no sul da Amazónia deverá atingir o máximo em agosto e setembro de 2027.

Os números oficiais podem estar a ficar aquém. Shane Coffield, investigador da Universidade de Maryland que trabalha no Goddard, contou entre 50 e 70 fogos fora de controlo só na região de Santarém. Ao analisar os dados do sensor VIIRS, encontrou cerca de 40% mais fogos do que os registados pelo sistema FIRMS da NASA, porque o fumo, as nuvens e a copa das árvores escondem muitas chamas de menor intensidade.

O contexto ajuda a perceber a escala. Num artigo publicado no mesmo dia, a NASA lembra que a agência americana NOAA dá 83% de probabilidade a que este seja o El Niño mais forte desde 1950. Morton prevê que os fogos perto de Manaus e Santarém só abrandem com a chegada da época das chuvas, em dezembro ou janeiro.
