# Satélites da NASA mostram as luzes da Florida a apagar-se com o furacão Isaias e a voltar poucos dias depois

> Imagens noturnas de alta definição mostram onde o furacão cortou a eletricidade na costa da Florida e a que ritmo a luz regressou. A NASA usa estes dados para ajudar as equipas de socorro a decidir para onde enviar meios, como complemento aos relatórios das empresas de energia.

- Publicação: MEGAzine (https://megazine.pt/)
- Endereço: https://megazine.pt/ciencia-e-espaco/satelites-da-nasa-mostram-as-luzes-da-florida-a-apagar-se-com-o-furacao-isaias
- Categoria: Ciência e Espaço
- Autoria: Redação
- Publicado: 17 de outubro de 2026
- Etiquetas: NASA, Satélites, Furacões, Observação da Terra, Black Marble

## Em resumo

- O furacão Isaias chegou a terra perto de Destin, na Florida, a 9 de outubro, com ventos sustentados de cerca de 170 km/h.
- Imagens de satélite de 11 de outubro mostram as luzes muito reduzidas em Pensacola e ao longo da estrada até Destin.
- A 12 de outubro a luz já tinha voltado a parte da região e a 14 o padrão era semelhante ao de antes da tempestade.
- Os dados vêm do sensor VIIRS do satélite NOAA-20 e são tratados no produto Black Marble HD, da NASA.
- A NASA sublinha que as imagens complementam os relatórios de cortes feitos no terreno, mas não os substituem.

Um par de imagens tiradas do espaço, à noite, mostra o que aconteceu à costa norte da Florida depois do furacão Isaias. Publicadas pelo Earth Observatory da NASA a 16 de outubro, comparam as luzes de Pensacola e da estrada que segue pela costa até Destin num mês normal, agosto, com as de 11 de outubro, dois dias depois da tempestade. A diferença salta à vista: zonas inteiras que costumavam brilhar ficaram às escuras, sinal de cortes de eletricidade generalizados.

## O que aconteceu e o que as imagens mostram

Depois de um início calmo da época de furacões no Atlântico, o Isaias tornou-se o primeiro furacão do ano a 8 de outubro. Chegou a terra perto de Destin na noite de 9 de outubro, com categoria 2 e ventos sustentados máximos de cerca de 170 km/h. Trouxe chuva forte e inundações ao Alabama e à zona conhecida como Florida Panhandle, e o vento derrubou árvores e linhas elétricas. Segundo o serviço meteorológico norte-americano, citado pela NASA, houve rajadas acima das 100 milhas por hora (cerca de 160 km/h) a oeste do centro da tempestade, precisamente onde as imagens mostram mais luzes apagadas.

As fotografias seguintes contam a recuperação. A 12 de outubro, a luz já tinha voltado a parte das zonas afetadas e, a 14, o padrão de iluminação era parecido com o de antes do furacão. Há também pontos que nunca se apagaram, como o aeroporto internacional de Pensacola, um colégio e partes do centro da cidade. Ranjay Shrestha, da equipa Black Marble da NASA, avisa que isso pode dever-se a geradores de reserva ou a diferenças na rede elétrica, mas que as imagens sozinhas não permitem confirmar a causa.

## Como um satélite deteta um apagão

Os dados vêm do VIIRS, um instrumento do satélite meteorológico NOAA-20 com uma banda que capta a luz emitida e refletida à noite. A equipa da NASA corrige depois as imagens para retirar o efeito da paisagem, da atmosfera e da fase da Lua, e filtra a luz que não vem de iluminação elétrica. As zonas tapadas por nuvens ficam marcadas, porque aí o satélite não consegue medir nada. O resultado é sobreposto a um mapa de fundo do satélite Landsat 9.

A versão normal destas imagens, chamada Black Marble, está disponível para qualquer pessoa no NASA Worldview e dá uma visão geral do impacto de uma tempestade. A versão HD, usada neste caso, permite ver as mudanças com muito mais pormenor. Para a NASA, a utilidade está em mostrar às equipas de emergência onde a recuperação avança e onde os cortes persistem, para decidirem para onde enviar meios. A agência sublinha que estes dados complementam os relatórios de cortes feitos no terreno, mas não os substituem. No caso do Isaias, o programa de desastres da NASA está a apoiar a Cruz Vermelha e a proteção civil do Alabama, e vai publicar mapas num portal de acesso aberto à medida que houver dados novos.
