# Sonda Hera fotografa Didymos a 60 km e mostra o lado do asteroide que a missão DART nunca viu

> A primeira imagem de perto da missão europeia de defesa planetária revela pedregulhos, crateras e sulcos na face escondida do asteroide maior. A lua Dimorphos, a que a NASA desviou em 2022, ficou quase toda na sombra, mas a sua vez chega nas próximas semanas.

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- Categoria: Ciência e Espaço
- Autoria: Maria Isadora Amado
- Publicado: 6 de novembro de 2026
- Etiquetas: ESA, Hera, Didymos, Asteroides, Defesa planetária

## Em resumo

- A ESA divulgou a 5 de novembro a primeira imagem de perto do sistema Didymos, tirada pela câmara da sonda Hera a 60 km de distância.
- A imagem mostra o lado de Didymos, com 780 metros de diâmetro, oposto ao que a sonda DART fotografou antes do impacto de 2022.
- Além da crista no equador já conhecida, surgem pedregulhos, crateras e padrões que parecem sulcos ou cristas.
- Dimorphos, com 151 metros, ficou quase todo na sombra, e a Hera prepara-se para examinar de perto o local do impacto.
- As imagens detalhadas dos dois asteroides vão ser reveladas a 25 de novembro, com a sonda a 196,8 milhões de km da Terra.

A sonda Hera, da Agência Espacial Europeia (ESA), tirou a primeira fotografia de perto do par de asteroides que foi alvo da primeira experiência de defesa planetária. A imagem, divulgada a 5 de novembro, foi captada pela câmara monocromática da sonda, a Asteroid Framing Camera, a 60 km de distância. Mostra com clareza Didymos, o asteroide maior, com cerca de 780 metros de diâmetro, enquanto a pequena lua Dimorphos, com 151 metros, ficou quase toda escondida na sombra.

## Uma face nova do asteroide

O que torna a imagem especial é o ângulo. Segundo a ESA, este é o lado de Didymos oposto ao que a câmara da sonda DART, da NASA, mostrou pouco antes de embater em Dimorphos, a 26 de setembro de 2022. "A primeira coisa que dissemos foi uau!", conta Patrick Michel, investigador principal da missão e diretor de investigação no CNRS e no Observatório da Côte d'Azur. A equipa descreve uma superfície com a mesma crista ao longo do equador que já se conhecia, mas de resto muito diferente, com vários pedregulhos e crateras e padrões que parecem sulcos ou cristas.

Parte dessas marcas pode ter origem no próprio impacto. Michael Kueppers, cientista da missão, lembra que se espera que muito material arrancado a Dimorphos tenha atravessado o quilómetro que separa os dois corpos e caído em Didymos. Separar o que é antigo do que foi lá deixado pela DART é uma das tarefas que a equipa tem pela frente.

## O que a Hera vai investigar a seguir

A DART, com 580 kg, chocou com Dimorphos a cerca de 6,1 km por segundo. O resultado superou as previsões: a órbita da lua em torno de Didymos ficou 33 minutos mais curta, com uma margem de um minuto, o que fez de Dimorphos o primeiro objeto do Sistema Solar cuja órbita foi alterada de forma mensurável pela ação humana. O passo seguinte é aquilo a que a ESA chama uma investigação ao local do acidente: a sonda vai examinar de perto Dimorphos e a zona do impacto, também com um altímetro laser.

A Hera chegou ao sistema ao fim de dois anos de viagem e está a 196,8 milhões de km da Terra. Ian Carnelli, responsável da missão, descreve a imagem como um momento de grande entusiasmo para toda a equipa. A ESA marcou para 25 de novembro a divulgação das imagens detalhadas dos dois asteroides.
