# Sonda Lucy é a primeira a entrar na região dos troianos de Júpiter: o calendário das visitas até 2033

> Cinco anos e mais de 3,5 mil milhões de quilómetros depois do lançamento, a Lucy chegou a uma das duas nuvens de asteroides que acompanham Júpiter à volta do Sol. A primeira passagem por um troiano está marcada para agosto de 2027.

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- Categoria: Ciência e Espaço
- Formato: Explicador
- Autoria: Redação
- Publicado: 1 de novembro de 2026
- Etiquetas: NASA, Lucy, Asteroides, Júpiter, Sistema Solar

## Em resumo

- Lançada a 16 de outubro de 2021, a Lucy é a primeira nave a entrar numa das regiões dos asteroides troianos, que partilham a órbita de Júpiter.
- O primeiro encontro com um troiano, o Eurybates, está marcado para 11 de agosto de 2027, seguido do Polymele em setembro.
- Até 2028 a sonda passa ainda pelo Leucus e pelo Orus, volta à Terra em 2030 e chega ao par Patroclus e Menoetius em março de 2033.
- Ao todo, a missão vai estudar 11 asteroides, um recorde, e já visitou dois na cintura principal, o Dinkinesh e o Donaldjohanson.
- Os cientistas acreditam que os troianos são restos do material que formou os planetas gigantes há mais de quatro mil milhões de anos.

A sonda Lucy, da NASA, tornou-se a primeira nave a entrar na região dos asteroides troianos de Júpiter. A agência anunciou a chegada a 28 de outubro, cinco anos depois do lançamento, a 16 de outubro de 2021, e após mais de 2,2 mil milhões de milhas de viagem (cerca de 3,5 mil milhões de quilómetros). No espaço não há fronteiras marcadas, por isso a equipa sabe onde a sonda está pelos sinais de rádio e pelas imagens das estrelas à volta. Por coincidência, faz este domingo três anos que a Lucy passou pelo seu primeiro asteroide, o Dinkinesh.

## O que são os troianos

Os troianos são milhares de asteroides que partilham a órbita de Júpiter à volta do Sol, presos em duas zonas estáveis criadas pela gravidade do Sol e do planeta. Um grupo segue à frente de Júpiter, em torno do chamado ponto de Lagrange 4, e o outro vai atrás, junto ao ponto 5. Apesar do nome, ficam longe do planeta: estão tão afastados de Júpiter como este está do Sol, cerca de 780 milhões de quilómetros. Em média, há mais de nove milhões de quilómetros entre um asteroide e o seguinte.

Para os cientistas, estes corpos são cápsulas do tempo. Os modelos de formação do sistema solar indicam que serão restos do mesmo material que deu origem a Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno, há mais de quatro mil milhões de anos. Nenhuma sonda que passou por Júpiter teve razões para ir até eles, precisamente por estarem tão longe do planeta.

## O calendário até 2033

A Lucy vai estudar 11 asteroides, um recorde, e já fez dois ensaios na cintura principal. Em novembro de 2023 passou pelo Dinkinesh e pela pequena lua Selam. Em abril de 2025 chegou a 1.000 quilómetros do Donaldjohanson e descobriu, segundo um estudo publicado na Science em junho, um asteroide em forma de amendoim com oito quilómetros de largura, que roda sobre dois eixos ao mesmo tempo.

As datas seguintes, de acordo com a NASA:

- Eurybates e a lua Queta: 11 de agosto de 2027
- Polymele e a sua lua, ainda sem nome: 14 de setembro de 2027
- Leucus: 18 de abril de 2028
- Orus: 11 de novembro de 2028
- Regresso à Terra para um último impulso gravitacional: 2030
- Patroclus e Menoetius, no grupo que segue atrás de Júpiter: 3 de março de 2033

A preparação já começou. Na primavera, a câmara de alta resolução L'LORRI fotografou os quatro primeiros alvos, que de tão longe aparecem como pontos de luz a deslizar entre as estrelas. A NASA explica que estas imagens servem para acertar a exposição, porque a sonda vai ver as superfícies meio na sombra, de ângulos impossíveis a partir da Terra. Em cada passagem, a Lucy vai a até 25 mil quilómetros por hora e aproxima-se entre 480 e 970 quilómetros do asteroide.

A nave, com mais de 16 metros de ponta a ponta e dois painéis solares de cerca de sete metros de diâmetro, foi desenhada para funcionar a mais de cinco vezes a distância da Terra ao Sol. Segundo a NASA, os instrumentos continuam a funcionar como previsto, e falta menos de um ano para o primeiro encontro com um troiano.
