# Telescópio Swift da NASA desliga após quase 22 anos a caçar explosões cósmicas e reentra na atmosfera em breve

> O satélite feito para apanhar as explosões mais violentas do Universo em menos de um minuto já está demasiado baixo para apontar os telescópios. Fez a última observação a 20 de outubro e deixa 12 terabytes de dados abertos a qualquer pessoa.

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- Categoria: Ciência e Espaço
- Autoria: Redação
- Publicado: 31 de outubro de 2026
- Etiquetas: NASA, Swift, Telescópios espaciais, Astronomia, Raios gama

## Em resumo

- A missão Swift terminou porque o satélite orbita a menos de 275 km de altitude, onde o atrito da atmosfera não o deixa apontar com estabilidade.
- A última observação foi feita a 20 de outubro e a reentrada na atmosfera é esperada nas próximas semanas.
- Lançado a 20 de novembro de 2004 para uma missão de dois anos, o Swift trabalhou mais de dez vezes esse tempo.
- Observou mais de 2000 explosões de raios gama e mais de 1400 supernovas, e os seus dados entraram em cerca de 7000 artigos científicos.
- O arquivo completo, com cerca de 12 terabytes e mais de 1,5 milhões de imagens, é público.

O Neil Gehrels Swift Observatory, o satélite da NASA que durante quase 22 anos andou à procura das explosões mais violentas do Universo, terminou a missão científica. A agência espacial norte-americana anunciou a 23 de outubro que o satélite orbita já a menos de 275 quilómetros da superfície da Terra, uma altitude em que o atrito com a atmosfera não deixa os telescópios ficarem apontados de forma estável para os alvos. A última observação foi feita a 20 de outubro e a NASA espera que o Swift reentre na atmosfera nas próximas semanas.

O Swift foi lançado a 20 de novembro de 2004 e começou a trabalhar no mês seguinte. Estava pensado para uma missão principal de dois anos, mas, segundo a NASA, manteve-se produtivo durante mais de dez vezes esse tempo. Em 2018, a missão passou a ter o nome de Neil Gehrels, o primeiro investigador principal, depois da sua morte.

## Um minuto para apontar

O satélite foi desenhado para estudar as explosões de raios gama, os fenómenos mais energéticos do cosmos, que aparecem e desaparecem depressa demais para os grandes telescópios conseguirem reagir. O Swift detetava a explosão, avisava os outros observatórios da posição e virava os seus telescópios de luz visível, ultravioleta e raios X para o local antes de o brilho residual se apagar. Segundo o investigador principal, S. Bradley Cenko, isso demorava normalmente cerca de um minuto.

A rapidez foi decisiva em maio de 2005, quando o Swift apanhou o brilho residual de uma explosão curta pela primeira vez. A explosão GRB 050509B durou apenas 0,03 segundos e o satélite ainda chegou a tempo de detetar 11 fotões de raios X. As observações confirmaram a teoria de que as explosões curtas nascem provavelmente da fusão de duas estrelas de neutrões, objetos com a massa do Sol comprimida no tamanho de uma cidade.

## O que fica

Ao longo da carreira, o Swift observou mais de 2000 explosões de raios gama e mais de 1400 supernovas, viu estrelas a ser despedaçadas por buracos negros, acompanhou galáxias ativas e estudou asteroides e cometas. Os seus dados contribuíram para cerca de 7000 artigos científicos. O planeamento era flexível: podia receber pedidos de observação urgente da Terra em poucos minutos e agendar até 75 alvos por dia.

O arquivo reúne quase 22 anos de medições, incluindo mais de 1,5 milhões de imagens do telescópio ótico e ultravioleta, num total de cerca de 12 terabytes, e está disponível ao público. Para substituir a capacidade de resposta rápida, a NASA diz que vai recorrer aos telescópios espaciais que já tem em órbita e estudar soluções comerciais de lançamento rápido e novas missões, enquanto não houver alternativa.
