# Voyager 1 chega a um dia-luz da Terra a 18 de novembro, às 10h16 de Lisboa: nenhum objeto humano foi tão longe

> A sonda lançada em 1977 vai estar a 25.902 milhões de quilómetros, a distância que a luz percorre num dia inteiro. A partir daí, cada ordem enviada pela NASA demora 24 horas a chegar. A Voyager 1 já só tem dois instrumentos científicos ligados e perde cerca de 4 watts de energia por ano.

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- Categoria: Ciência e Espaço
- Autoria: Redação
- Publicado: 29 de outubro de 2026
- Etiquetas: NASA, Voyager 1, Espaço interestelar, Sondas espaciais

## Em resumo

- A NASA calcula que a Voyager 1 fica a um dia-luz da Terra a 18 de novembro, às 5h16 da costa leste dos EUA, ou seja, às 10h16 em Portugal continental.
- Um dia-luz equivale a 25.902.068.356 quilómetros, a distância que a luz percorre em 24 horas.
- A sonda foi lançada em 1977, entrou no espaço interestelar em agosto de 2012 e segue a cerca de 61 mil km/h.
- Só dois instrumentos científicos continuam ligados: um que capta ondas de plasma e um magnetómetro. O LECP foi desligado a 17 de abril.
- A gémea Voyager 2 deve chegar à mesma marca em novembro de 2035.

A Voyager 1 está prestes a passar uma marca que nenhum objeto feito por humanos alcançou. Segundo as contas da NASA, na quarta-feira, 18 de novembro, às 5h16 da hora da costa leste dos Estados Unidos (10h16 em Portugal continental), a sonda vai estar a um dia-luz da Terra. É a distância que a luz percorre em 24 horas: 25.902.068.356 quilómetros. A agência publicou na página da missão uma contagem decrescente para o momento.

## O que é um dia-luz

A luz é o que de mais rápido existe no universo, por isso os astrónomos usam-na como régua. Para teres uma ideia, a luz da Lua chega-nos em 1,3 segundos e a do Sol em cerca de 8 minutos e 20 segundos. Neptuno, o planeta mais distante, fica em média a 4 horas e 10 minutos-luz. A Voyager 1 vai ficar quase seis vezes mais longe do que isso.

A sonda saiu da Terra em 1977 para passar por Júpiter e Saturno e, em agosto de 2012, entrou no espaço interestelar, fora da bolha de partículas e campos magnéticos criada pelo Sol. Segue a cerca de 61 mil quilómetros por hora em direção a uma estrela da Ursa Menor chamada Gliese 445, a mais de 17 anos-luz. Vai passar a 1,7 anos-luz dela, daqui a 40 mil anos. A gémea, a Voyager 2, fez outro caminho para visitar Úrano e Neptuno e só chega à marca de um dia-luz em novembro de 2035, segundo a NASA.

## Ordens com um dia de atraso

A distância tem um custo prático para a equipa do Jet Propulsion Laboratory, na Califórnia. A partir de 18 de novembro, qualquer comando demora um dia inteiro a chegar à sonda e a resposta leva outro dia a voltar. Em abril, quando a Voyager 1 estava a mais de 25 mil milhões de quilómetros, as ordens já precisavam de cerca de 23 horas para lá chegar.

A outra dificuldade é a energia. As duas sondas funcionam com geradores que transformam em eletricidade o calor do plutónio a decair, e cada uma perde cerca de 4 watts por ano. Para poupar, a NASA desligou a 17 de abril o LECP, um instrumento que media partículas carregadas e funcionava quase sem paragens desde o lançamento. Na Voyager 1 restam dois instrumentos científicos ligados, um que capta ondas de plasma e um magnetómetro. Dos dez instrumentos que a sonda leva, sete já foram desligados.

Em agosto, a NASA conseguiu libertar energia na Voyager 2 com uma operação a que chamou "Big Bang": desligar vários aparelhos de uma vez e trocá-los por alternativas que gastam menos, sem deixar a sonda arrefecer demasiado. A agência diz que vai repetir a manobra na Voyager 1 nos próximos meses e admite que, se correr bem, o LECP pode voltar a ser ligado.

Se quiseres acompanhar a viagem, a página Where Are Voyager 1 and Voyager 2 Now?, no site da NASA, mostra a distância das duas sondas a atualizar ao segundo. A ferramenta Eyes on the Solar System, também da NASA, deixa ver em 3D onde está a Voyager 1 neste momento.
