# SSD externo ou pen com capacidade falsa: como confirmar se tem mesmo os terabytes que pagaste

> Há discos e pens vendidos como 1 ou 2 TB que só têm umas dezenas de gigabytes e enganam o computador. Os ficheiros parecem copiados, mas ficam vazios. Três programas gratuitos, ValiDrive, H2testw e F3, mostram a capacidade real antes de lá guardares algo importante.

- Publicação: MEGAzine (https://megazine.pt/)
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- Categoria: Computadores
- Formato: Guia
- Autoria: Redação
- Publicado: 23 de outubro de 2026
- Etiquetas: SSD, Pens USB, Armazenamento, Compras online, Windows

## Em resumo

- Os aparelhos falsificados dizem ao sistema operativo que têm muito mais espaço do que a memória instalada, e o Windows mostra essa capacidade sem desconfiar.
- Quando o espaço real se esgota, os nomes dos ficheiros continuam a aparecer, mas o conteúdo não fica gravado.
- O ValiDrive, da GRC, faz em pouco tempo uma verificação por amostragem em todo o espaço declarado de uma unidade USB, no Windows.
- O H2testw, da revista c't, enche o disco com ficheiros de teste e lê-os de volta, um teste mais completo e demorado.
- No Mac e no Linux, o F3 faz o mesmo tipo de verificação com os comandos f3write e f3read.

Um SSD externo de vários terabytes por um preço que parece demasiado bom, num marketplace online, deve fazer-te desconfiar. Há discos e pens USB adulterados para dizer ao computador que têm muito mais espaço do que a memória que trazem lá dentro. Steve Gibson, da Gibson Research Corporation (GRC), conta que comprou doze pens baratas de 1 e 2 TB e que todas eram falsas, e mostra o exemplo de uma unidade vendida como 2 TB que só tinha 62 GB de memória flash. O problema não fica pelo dinheiro mal gasto: estes aparelhos podem fazer-te perder ficheiros sem te aperceberes.

## Porque é que o computador não deteta o engano

Quando ligas a unidade, o sistema operativo aceita a capacidade que ela anuncia e mostra-a no Explorador de Ficheiros como se fosse verdadeira. Segundo a GRC, estes aparelhos têm memória suficiente, tipicamente 64 GB, para guardar a lista de ficheiros. Depois de esse espaço encher, continuam a aceitar cópias sem dar erro: o nome, a data e o tamanho de cada ficheiro ficam registados, mas o conteúdo vai para um sítio onde não há memória. Os sistemas operativos não confirmam que os dados ficaram gravados e confiam que o disco avisa quando falha, coisa que estes não fazem. Só dás pelo problema quando abres um ficheiro e ele está vazio.

## Três programas gratuitos para verificar

- ValiDrive (Windows): criado pela GRC para unidades USB, testa pontos escolhidos ao acaso em todo o espaço declarado e confirma que os dados de teste ficam guardados e voltam iguais. No fim mostra um mapa da unidade e um relatório com os tempos de leitura e escrita. É rápido, mas é uma amostragem, por isso um bom resultado não garante que cada gigabyte esteja em ordem.
- H2testw (Windows): distribuído pela revista alemã c't, não precisa de instalação. Escreve ficheiros de dados aleatórios, de até 1 GB cada, até encher a unidade, e depois lê-os para confirmar se a capacidade real bate certo com a anunciada. Num disco grande, encher tudo leva muito tempo. A heise recomenda formatar a unidade antes do teste e avisa que alguns adaptadores USB, ou até memória RAM com defeito no PC, podem dar falsos alarmes.
- F3 (Mac e Linux): o nome vem de Fight Flash Fraud. Os comandos f3write e f3read gravam ficheiros grandes e verificam se a unidade devolve exatamente o mesmo; no Mac instalas com o Homebrew (brew install f3). No Linux há ainda o f3probe, mais rápido, mas que apaga tudo o que estiver na unidade.

## Antes de testar e se o disco for falso

Copia para outro lado tudo o que tiveres na unidade, porque estes testes escrevem nela e alguns apagam o conteúdo. Se o teste confirmar a fraude, não uses o aparelho para guardar nada que te faça falta. No Linux, o comando f3fix consegue criar uma partição com o tamanho real, mas ficas apenas com a capacidade que lá está de facto.

A DECO lembra que os bens novos comprados a uma loja, física ou online, têm três anos de garantia legal, e que nas vendas entre particulares não há garantia. Guarda o anúncio, a fatura e o relatório do teste: são as provas de que vais precisar para reclamar junto do vendedor ou da plataforma.
