# Anthropic dá a seis investigadores externos acesso de funcionário para avaliarem os riscos do Claude

> A equipa da METR, uma organização sem fins lucrativos, recebeu portáteis da empresa, secretária no escritório e acesso às ferramentas internas. Pode publicar o que encontrar e a Anthropic abdica do direito de veto, embora possa exigir que se tapem alguns dados sensíveis.

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- Categoria: Inteligência Artificial
- Autoria: Redação
- Publicado: 17 de outubro de 2026
- Etiquetas: Anthropic, Claude, Segurança da IA, METR, Avaliação independente

## Em resumo

- A Anthropic anunciou a 15 de outubro que seis pessoas da METR passaram a ter acesso semelhante ao de um funcionário para avaliar os riscos dos seus modelos.
- A METR pode publicar as conclusões sem autorização prévia; a Anthropic só pode pedir que se omitam categorias definidas, como dados de clientes ou a arquitetura dos modelos.
- A empresa está a criar três níveis de acesso para avaliadores externos, e para já só a METR está no mais alto.
- A SecureBio está a rever o capítulo sobre armas químicas e biológicas do relatório de riscos de agosto, e há conversas iniciais com o Hugging Face.
- A Anthropic compara o modelo aos inspetores que os reguladores colocam dentro dos maiores bancos.

A Anthropic, a empresa que desenvolve o Claude, abriu as portas a uma equipa de fiscalização externa com um nível de acesso pouco habitual no setor. Seis pessoas da METR, uma organização sem fins lucrativos que avalia modelos de inteligência artificial de ponta, receberam computadores da empresa, lugar no escritório e acesso a sistemas internos semelhante ao das equipas da Anthropic que avaliam riscos. O anúncio foi feito a 15 de outubro, numa altura em que, segundo o TechCrunch, os casos de agentes de IA a agir fora das instruções têm sido revelados a cada uma ou duas semanas desde o fim de agosto.

## O que a METR pode ver e publicar

A empresa explica que, fora de algumas categorias bem delimitadas, os seus funcionários são incentivados a partilhar informação com a equipa da METR como fariam com um colega. As exceções incluem dados de clientes, informação protegida pelo sigilo entre advogado e cliente e pormenores sobre a arquitetura dos modelos. A METR vai publicar as suas análises sobre os níveis de risco, os incidentes e as práticas da Anthropic, e a empresa não tem poder de veto sobre essas publicações.

O que a Anthropic pode fazer é exigir que se retire informação dessas categorias. Mesmo assim, a METR fica livre de dizer publicamente que houve cortes e se os considera justificados, desde que não revele o conteúdo omitido. A empresa compara o acordo à supervisão bancária, em que os reguladores colocam inspetores permanentes dentro dos maiores bancos porque estes conhecem os seus riscos melhor do que qualquer observador de fora. Os restantes funcionários da METR ficam separados desta equipa, incluindo os que trabalham com a Anthropic noutros projetos.

## Três níveis de acesso para avaliadores

O acordo com a METR é o topo de um sistema de três níveis que a Anthropic diz estar a construir. No primeiro, os avaliadores fazem investigações de âmbito estreito, a empresa decide o que mostra e as conclusões só saem com a sua aprovação. No segundo, há mais informação e as publicações deixam de precisar de autorização. O terceiro junta a isso o acesso de funcionário, e para já só a METR lá está.

Há outros parceiros em fases mais iniciais. A SecureBio está a rever o capítulo sobre armas químicas e biológicas do relatório de riscos de agosto da Anthropic, depois de ter publicado uma revisão-piloto do relatório anterior. Com a Accenture e a Faculty, a empresa prepara uma parceria que inclui testes aos modelos e às suas salvaguardas, e há conversas iniciais com o Hugging Face.

## Uma promessa de setembro

Segundo o TechCrunch, o anúncio cumpre uma proposta que o presidente executivo, Dario Amodei, fez num ensaio publicado em setembro, em que defendia colocar avaliadores externos dentro dos laboratórios de IA. A OpenAI comprometeu-se a fazer o mesmo e várias empresas, incluindo a Anthropic, a OpenAI, a Google e a Meta, assinaram um acordo na Casa Branca que prevê revisões independentes. A Anthropic defende que todas as empresas de IA de ponta deviam ter avaliadores embutidos.

Para quem usa o Claude em Portugal, nada muda no serviço. A diferença está na informação que poderá vir a público: o anúncio não indica quando sairá a primeira análise da METR feita com este acesso.
