# Anthropic, OpenAI, Hugging Face e Alibaba entregam quatro peças dos agentes de IA a uma fundação sem dono

> As quatro empresas passaram para a Agentic AI Foundation, da Linux Foundation, as normas que dizem como os agentes aprendem tarefas, falam com os modelos, treinam e correm fechados num espaço seguro. A fundação chega assim a dez projetos no primeiro ano.

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- Categoria: Inteligência Artificial
- Autoria: Redação
- Publicado: 27 de outubro de 2026
- Etiquetas: Código aberto, Agentes de IA, Anthropic, OpenAI, Linux Foundation

## Em resumo

- A Agentic AI Foundation anunciou a 22 de outubro quatro projetos novos: Agent Skills (Anthropic), Open Responses (OpenAI), OpenEnv (Hugging Face) e OpenSandbox (Alibaba).
- A fundação nasceu em dezembro de 2025 sob a Linux Foundation, com três projetos, e passa agora a dez, entre eles o Model Context Protocol.
- As Agent Skills são pastas com um ficheiro de instruções que ensinam uma tarefa a um agente; a Anthropic diz que mais de 70 plataformas já as aceitam.
- Segundo a Anthropic, já foram publicadas um milhão de competências e feitas quase 280 milhões de instalações.
- A fundação diz ter passado os 300 membros em menos de um ano, com 60 entradas neste trimestre.

Quatro das maiores empresas de inteligência artificial entregaram a uma fundação independente partes da tecnologia que faz os agentes de IA funcionar. O anúncio foi feito a 22 de outubro pela Agentic AI Foundation, criada há menos de um ano sob a alçada da Linux Foundation, durante a conferência AGNTCon em San José. A Anthropic doou as Agent Skills, a OpenAI a especificação Open Responses, a Hugging Face o OpenEnv e a Alibaba o OpenSandbox. Com estas entradas, a fundação passa de três para dez projetos, entre os quais já estava o Model Context Protocol, a norma que liga os assistentes de IA a ferramentas e dados.

## O que são estas quatro peças

Um agente de IA é um modelo com ferramentas e um ciclo de trabalho que o leva a executar tarefas sozinho, em vez de apenas responder a perguntas. Cada um destes projetos resolve uma parte do problema. As Agent Skills são o formato que dá a um agente conhecimento especializado: uma pasta com um ficheiro de instruções e, se for preciso, documentos e programas de apoio, que o agente carrega quando precisa de executar uma tarefa concreta. O Open Responses é uma especificação para falar com modelos de fornecedores diferentes sem reescrever o código. O OpenEnv serve para criar ambientes de treino por reforço e o OpenSandbox para limitar o que um agente pode fazer, correndo-o num espaço fechado.

A Anthropic publicou as Agent Skills como norma aberta em dezembro de 2025, depois de as ter desenvolvido para o Claude Code, e diz que mais de 70 plataformas as integraram, entre elas o ChatGPT, o Cursor, o GitHub Copilot e o VS Code. Em números da própria empresa, já foram publicadas um milhão de competências e feitas quase 280 milhões de instalações. Com a doação passam para a fundação o nome, o logótipo, a organização no GitHub e o domínio agentskills.io, e os responsáveis técnicos vêm da Anthropic, da Google e da OpenAI, a título individual.

## Porque é que isto interessa a quem não programa

Uma norma com dono tende a seguir os interesses de quem a controla. Quando passa para uma fundação neutra, as outras empresas ganham voz e garantias de que não ficam dependentes de um concorrente. Na prática, pode significar que uma competência escrita para um assistente funcione noutro, e que mudar de serviço seja mais fácil, como já acontece com formatos abertos noutras áreas da informática. É também um argumento comercial para quem vende agentes a empresas.

Fica por ver o que muda no dia a dia. A Anthropic propõe começar por um plano com versões numeradas da norma, um processo formal para propostas de alteração e orientações de segurança para quem escreve e instala competências. Esse último ponto não é um detalhe: uma competência é, no fundo, um conjunto de instruções que o agente vai seguir, e qualquer pessoa as pode publicar. Entretanto, o mesmo entusiasmo começa a encontrar resistência noutros setores: a Axios noticiou a 22 de outubro que vários bancos americanos detetaram agentes de IA a mexer em contas de clientes sem autorização dos próprios bancos.
