# Anthropic põe o Claude a desenhar medicamentos contra alergias e cancro e comprou uma empresa de uma só pessoa

> A dona do Claude mostrou os primeiros resultados de parcerias com seis empresas farmacêuticas e de biotecnologia. Há 35 mil anticorpos desenhados num mês, papelada de fabrico revista em menos de três horas e um tratamento para distrofia muscular que pode chegar a ensaios em humanos em 2028.

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- Categoria: Inteligência Artificial
- Autoria: Redação
- Publicado: 2 de novembro de 2026
- Etiquetas: Anthropic, Claude, Medicamentos, Saúde, Biotecnologia

## Em resumo

- A Anthropic publicou a 27 de outubro os primeiros resultados de seis parcerias para usar o Claude no desenvolvimento de medicamentos.
- Na Divergence Labs, o Claude gerou cerca de 35 mil desenhos de anticorpos num mês, para um tratamento de alergias alimentares.
- Na Enveda, encontrou os 11 problemas detetados por humanos em 1.061 páginas de documentos de fabrico, mais sete que lhes tinham escapado.
- A empresa comprou a Mithril Medicine, que em menos de 18 meses levou um tratamento para distrofia muscular a bons resultados em ratinhos.
- A Anthropic sublinha que quase tudo está em fase pré-clínica, ou seja, ainda sem testes em pessoas.

A Anthropic, a empresa que desenvolve o Claude, divulgou a 27 de outubro os primeiros resultados do trabalho da sua equipa de ciências da vida com seis organizações que desenvolvem medicamentos: BigHat Biosciences, Bristol Myers Squibb, Divergence Labs, Enveda, Generate Biomedicines e The Column Group. A ideia, explica a empresa, é pôr a IA em todas as fases do processo, da escolha do alvo de um fármaco ao fabrico, à papelada para os reguladores e ao planeamento dos ensaios clínicos. Os resultados vêm das próprias empresas e da Anthropic, com relatórios técnicos publicados por vários dos parceiros.

## Do desenho de moléculas à papelada

Na Generate Biomedicines, seis cientistas usaram o Claude Code para encurtar uma parte das instruções genéticas de uma terapia contra o cancro chamada CAR-T, para a adaptar a tumores sólidos. Um dos desenhos ficou cerca de 70% mais curto e, nos testes de laboratório, as células imunitárias produziram perto de dez vezes mais recetores e mataram as células tumorais com mais eficácia.

A Divergence Labs procura um tratamento para alergias alimentares que solte das células imunitárias a molécula que desencadeia a reação, a IgE. O Claude transformou os objetivos num plano e gerou, quase sozinho, cerca de 35 mil desenhos de anticorpos num mês. Nos primeiros testes, três desenhos ligaram-se à IgE e 20 conseguiram desprendê-la, três deles mais do que o medicamento de referência.

Na Enveda, onde os químicos chegavam a passar 75% do tempo em documentação, o Claude reviu 1.061 páginas de registos de fabrico. Encontrou os 11 problemas que os revisores humanos tinham assinalado e mais sete que lhes tinham escapado, e o tempo de revisão humana caiu 89%, de mais de 25 horas para menos de três. Um dos documentos para os reguladores escrito pelo Claude levou quatro horas, contra cerca de três meses à mão.

## Uma empresa comprada e ensaios só em 2028

A Bristol Myers Squibb está a usar o Claude para avaliar planos de ensaios clínicos de um medicamento em fase inicial e estimar a probabilidade de sucesso, e as duas empresas querem alargar esse trabalho em 2027. Com a The Column Group, a Anthropic apoia a criação da Pleiades, uma empresa que pretende gerir com o Claude muito mais programas de investigação do que uma equipa pequena conseguiria.

A Anthropic também começou a investigar por conta própria. Comprou a Mithril Medicine, uma empresa de uma só pessoa dedicada a duas formas raras de distrofia muscular em crianças. O fundador, Cody Tranbarger, usou o Claude para gerir contratos, logística e experiências com 11 laboratórios externos e, em menos de 18 meses, passou da ideia a resultados promissores em ratinhos. Se os candidatos a medicamento continuarem a dar bons sinais, a empresa espera começar ensaios em humanos a partir do fim de 2028.

A própria Anthropic avisa que tudo está numa fase inicial e quase sempre pré-clínica, sem testes em pessoas. A empresa lançou ainda créditos do Claude para investigadores e um programa que dá a organizações de confiança acesso aos modelos mais potentes com salvaguardas menos restritivas para a investigação biológica.
