# Anthropic quer entrar no Nasdaq: faturou 16,3 mil milhões de dólares num semestre e vai vender ações na Europa

> A empresa que faz o Claude entregou o prospeto ao regulador dos EUA e vai estrear-se no Nasdaq com o símbolo ANT. As contas mostram receitas a disparar e um prejuízo de 80,7 mil milhões de dólares no semestre, quase todo por reavaliação de instrumentos. Parte da oferta é para pequenos investidores europeus.

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- Categoria: Inteligência Artificial
- Autoria: Redação
- Publicado: 31 de outubro de 2026
- Etiquetas: Anthropic, Claude, Bolsa, Nasdaq, Inteligência artificial

## Em resumo

- A Anthropic entregou a 26 de outubro o pedido de entrada em bolsa (formulário S-1) à SEC e quer cotar as ações de classe A no Nasdaq com o símbolo ANT.
- Ainda não estão definidos o número de ações nem o intervalo de preço. A Goldman Sachs e a Morgan Stanley aparecem como contactos para o prospeto.
- As receitas passaram de 41 milhões de dólares em 2023 para 4.585 milhões em 2025 e chegaram a 16.286 milhões só no primeiro semestre de 2026.
- O prejuízo líquido do semestre foi de 80,7 mil milhões de dólares, sobretudo por causa da variação do justo valor de notas convertíveis, derivados e SAFE.
- A oferta inclui uma parte para pequenos investidores em certos países do Espaço Económico Europeu, que o prospeto não identifica.

A Anthropic, a empresa norte-americana que desenvolve o assistente Claude, deu o primeiro passo formal para entrar em bolsa. A 26 de outubro entregou à SEC, o regulador dos mercados nos Estados Unidos, o formulário S-1 para uma oferta pública inicial de ações de classe A, que pretende cotar no Nasdaq com o símbolo ANT. Segundo o comunicado da empresa, o número de ações e o intervalo de preço ainda não foram fixados, e o registo ainda não está em vigor. A Goldman Sachs e a Morgan Stanley são indicadas como contactos para quem quiser o prospeto preliminar.

## O que as contas revelam

O prospeto mostra as contas da empresa desde 2023 e uma subida rápida das receitas: 41 milhões de dólares em 2023, 386 milhões em 2024 e 4.585 milhões em 2025. No primeiro semestre de 2026 a empresa faturou 16.286 milhões, contra 1.163 milhões no mesmo período do ano anterior, uma subida de 1.300%. A 30 de setembro tinha mais de 11.900 clientes que lhe pagaram pelo menos 100 mil dólares nos últimos 12 meses e cerca de 250 acima dos 10 milhões.

Os custos também são grandes. O prejuízo operacional foi de 8.060 milhões em 2025 e encolheu para 693 milhões no primeiro semestre de 2026. O prejuízo líquido do semestre chega aos 80,7 mil milhões de dólares, mas 72,4 mil milhões vêm da variação do justo valor de notas convertíveis, derivados e SAFE, instrumentos com que a empresa se financiou.

## Direitos de autor e computação

O documento descreve também os riscos legais. Em setembro de 2025, a Anthropic fechou por 1.500 milhões de dólares um acordo no processo Bartz, uma ação coletiva por violação de direitos de autor, que um tribunal aprovou em julho de 2026. A empresa admite que decisões desfavoráveis noutros processos de direitos de autor, mesmo contra concorrentes, podem prejudicar o negócio. Enfrenta ainda processos de editoras sobre letras de músicas.

Na computação, a empresa diz usar chips Trainium da AWS, TPU da Google e placas da NVIDIA e da AMD. O valor total dos compromissos de compra e aluguer, quase todos ligados a computação e infraestrutura, continua em branco nesta versão do prospeto, tal como a receita do terceiro trimestre.

## E na Europa

A oferta não fica só nos Estados Unidos. O prospeto prevê vendas públicas na Austrália, no Canadá, no Japão, na Suíça, no Reino Unido e em "certos Estados-membros" do Espaço Económico Europeu, incluindo uma oferta a pequenos investidores com um prospeto europeu próprio, a aprovar por uma autoridade nacional. O documento não diz que países são esses, por isso não se sabe se Portugal está incluído. A Anthropic diz que, para já, não tenciona cotar as ações nas bolsas desses países. A data de estreia e o preço só serão conhecidos quando a empresa atualizar o registo na SEC.
