# Brave cifra as conversas com o assistente Leo de ponta a ponta: nem a empresa consegue ler o que perguntas

> O navegador passou a proteger as conversas com o modelo aberto GLM 5.3 Flash com encriptação feita no teu computador e processamento dentro de hardware selado. O teu endereço IP também fica escondido. Basta escolher esse modelo no Leo.

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- Categoria: Inteligência Artificial
- Autoria: Redação
- Publicado: 19 de outubro de 2026
- Etiquetas: Brave, Leo, Privacidade, Encriptação, Chatbots

## Em resumo

- A Brave anunciou a 15 de outubro que as conversas com o modelo GLM 5.3 Flash no assistente Leo passam a ter encriptação de ponta a ponta.
- Cada pergunta é cifrada no teu dispositivo e só pode ser lida dentro de um ambiente de execução seguro, operado pela NEAR AI com hardware da Nvidia e da Intel.
- O pedido passa por um intermediário da Brave que esconde o teu endereço IP do fornecedor do modelo.
- Antes de enviar a pergunta, o browser confirma por uma prova assinada pelo hardware que o modelo e o código são os prometidos.
- A função já está disponível nas versões Release, Beta e Nightly do Brave; basta escolher o GLM 5.3 Flash no Leo.

Quase tudo o que escreves a um assistente de inteligência artificial fica guardado nos servidores de quem o fornece. A Brave quer mudar isso no Leo, o assistente integrado no seu navegador. Desde 15 de outubro, as conversas com o modelo aberto GLM 5.3 Flash, lançado pela Z.ai em agosto com licença MIT, são cifradas de ponta a ponta. Segundo a empresa, nem a Brave nem o operador que corre o modelo conseguem ler as perguntas ou as respostas.

## Como funciona

Quando escreves uma pergunta, o navegador cifra-a no teu computador antes de ela sair. O pedido segue através do AI Gateway da Brave, um intermediário de código aberto que usa o protocolo Oblivious HTTP e esconde o teu endereço IP de quem está do outro lado. O destino é um ambiente de execução seguro, uma espécie de cofre dentro do processador, operado pela NEAR AI com tecnologia da Intel e da Nvidia. Só aí a pergunta é decifrada e passada ao modelo, e a resposta volta cifrada até ao teu browser.

Há um passo antes de tudo isto. O cofre tem de apresentar uma prova assinada pelo próprio hardware, que confirma que o equipamento é genuíno e que o modelo e o código em execução são os anunciados. Segundo a Brave, isto impede que o fornecedor troque o modelo sem aviso, algo que um estudo citado pela empresa diz ser difícil de detetar só pelas respostas. Quando o Leo precisa de pesquisar na web, a pesquisa também parte de dentro do cofre e não do teu computador.

## Porque é que a Brave usa um modelo aberto

A empresa explica que só um modelo com pesos públicos permite que outra entidade, neste caso a NEAR AI, o corra inteiramente dentro de hardware verificado. Assim, a Z.ai, que criou o GLM, nunca vê as tuas conversas. O histórico fica guardado no teu dispositivo e o Leo continua a não exigir conta nem a registar endereços IP. "A IA aumentou o risco", disse Brendan Eich, cofundador e presidente executivo da Brave, num comunicado citado pelo The Register.

O sistema ainda não está completo. A Brave quer passar a verificação da prova do hardware para dentro do próprio browser, publicar um registo das chaves usadas e confirmar os pesos exatos do modelo carregado em memória. Nesta fase, uma parte da verificação continua a ser feita pelo intermediário da empresa.

## Como experimentar

O Leo é gratuito e funciona sem conta, com uma subscrição Premium para quem quer limites de utilização mais altos. A encriptação de ponta a ponta já está disponível nas versões Release, Beta e Nightly do navegador. Para a usar, abre o Leo e escolhe o GLM 5.3 Flash na lista de modelos. A Brave só anuncia esta proteção para as conversas com o GLM 5.3 Flash, e não para os restantes modelos disponíveis no Leo.
