# Booking soma perto de 500 queixas no Portal da Queixa em 2026, e 13% falam de fraude e phishing com reservas

> Alojamentos anunciados sem o dono saber, hotéis fechados à chegada e mensagens no WhatsApp com as datas certas da tua estadia a pedir dados do cartão. As queixas portuguesas contra a plataforma ajudam a perceber os truques mais usados, e o que a própria Booking diz que nunca te vai pedir.

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- Categoria: Internet e Apps
- Autoria: Geórgia Gonçalves
- Publicado: 4 de novembro de 2026
- Etiquetas: Booking.com, Phishing, Portal da Queixa, Viagens, Burlas

## Em resumo

- O Portal da Queixa recebeu perto de 500 reclamações contra a Booking.com até 30 de outubro, depois de 449 em todo o ano de 2025 e 348 em 2024.
- Pagamentos, cobranças e reembolsos pesam 53,16% das queixas; fraude e segurança são 12,66%.
- Há relatos de casas anunciadas sem autorização dos donos e de mensagens no WhatsApp com dados reais da reserva a exigir pagamentos.
- A Booking.com diz que nunca pede os dados do cartão por email, telefone, SMS ou WhatsApp.
- No Portal da Queixa, a marca tem uma taxa de solução de cerca de 10% e um índice de satisfação abaixo de 18 em 100.

O Portal da Queixa recebeu perto de 500 reclamações contra a Booking.com desde o início de 2026, segundo os números divulgados pela plataforma portuguesa a 30 de outubro. Em todo o ano de 2025 tinham sido 449, já mais 29% do que as 348 de 2024. A maior parte das queixas é sobre dinheiro, mas uma em cada oito diz respeito a fraude e segurança, o tema que levou a Comissão Europeia a abrir, a 21 de outubro, um processo formal contra a plataforma ao abrigo da Lei dos Serviços Digitais.

## O que dizem as queixas

Pagamentos, cobranças indevidas, reembolsos que não chegam e preços errados somam 53,16% das reclamações deste ano. Seguem-se o apoio ao cliente (16,03%) e a fraude e segurança (12,66%), que junta suspeitas de burla, falhas de segurança e queixas sobre a privacidade dos dados. Depois vêm falhas de informação (6,12%), problemas na plataforma e nas reservas (5,70%), condições do alojamento (4,43%) e questões legais (1,90%).

Entre os relatos publicados, há proprietários que encontraram as suas casas anunciadas na Booking sem autorização, com as fotografias, a morada e a descrição verdadeiras, e que dizem ter tido dificuldade em pôr a plataforma a retirar o anúncio. Há também clientes que pagaram estadias em sítios que não existiam ou estavam fechados: um hotel em Istambul de portas encerradas à chegada e uma morada em Sesimbra que correspondia a escritórios abandonados. O próprio Portal da Queixa sublinha que se trata de denúncias individuais, que não provam por si só que houve fraude nem quem é responsável.

## A burla que já conhece a tua reserva

O caso mais perigoso para quem viaja é outro. Há clientes que contam ter recebido mensagens, muitas vezes pelo WhatsApp, de alguém que dizia falar em nome do alojamento e sabia o nome do sítio e as datas da estadia. Numa das queixas, o pedido era para abrir uma ligação e "validar" o cartão para o check-in, e o dinheiro acabou mesmo por sair da conta. Noutra, ameaçavam cancelar a reserva se não fosse feito um pagamento extra.

A Booking.com, na página de segurança para viajantes, descreve exatamente este esquema e deixa regras simples. A empresa garante que nunca pede os dados do cartão por email, telefone, SMS ou WhatsApp, nem uma transferência bancária fora das condições de pagamento que aparecem na confirmação da reserva. O apoio ao cliente só pede o número da reserva e o código PIN, nunca a palavra-passe.

Na prática, se uma mensagem te pedir para pagar ou confirmar o cartão, não uses a ligação: abre a app ou o site da Booking e confirma lá se há algum pagamento pendente. Liga a autenticação de dois fatores na conta e, se já carregaste numa ligação ou deste dados, contacta logo o banco para bloquear o cartão e o apoio ao cliente da Booking, que diz encaminhar esses casos para a equipa de segurança. Antes de reservar uma casa barata e sem avaliações, desconfia de pedidos para pagar fora da plataforma.

No Portal da Queixa, a Booking tinha a 30 de outubro um índice de satisfação de 17,8 em 100 e resolvia 10,6% das reclamações. A 2 de novembro, a página da marca mostrava 17,6 e 10,5%, com um tempo médio de resposta superior a 15 dias.
