# Nove em cada dez Unidades de Saúde Familiar ficaram sem as aplicações informáticas três ou mais vezes num ano

> Um estudo da associação das Unidades de Saúde Familiar mostra que todas as que responderam tiveram falhas nas aplicações clínicas e que a satisfação com o eVacinas caiu a pique depois da versão 2.0, em plena época de vacinação da gripe. Em 15,7% dos casos, a reposição demorou mais de um dia.

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- Categoria: Internet e Apps
- Autoria: Redação
- Publicado: 19 de outubro de 2026
- Etiquetas: SNS, Saúde digital, USF, eVacinas, SPMS

## Em resumo

- Todas as 541 USF que responderam ao estudo da USF-AN tiveram pelo menos uma falha das aplicações informáticas no ano anterior ao inquérito.
- Em 91,1% das unidades as falhas repetiram-se três ou mais vezes e 15,7% tiveram mais de 50 episódios no ano.
- A reposição do acesso demorou mais de um dia em 15,7% das USF, contra 10% no estudo anterior.
- A satisfação com o eVacinas desceu de 61,9% para 43,7%, a maior queda da série, depois da versão 2.0 lançada em abril.
- Só 22% dos coordenadores dizem que as aplicações clínicas se articulam bem entre si.

As aplicações informáticas que os médicos, enfermeiros e secretários clínicos usam nos centros de saúde falham com frequência e, cada vez mais, demoram a voltar. É uma das conclusões do estudo anual da Associação Nacional de Unidades de Saúde Familiar (USF-AN), apresentado na sexta-feira, 16 de outubro, no 17.º Encontro Nacional das USF, em Gondomar. O questionário foi respondido por 541 coordenadores entre 19 de junho e 4 de agosto, o que corresponde a 76% das 712 unidades que existiam no arranque do estudo e ao maior número de participantes da série.

## Falhas em todas as unidades

Nenhuma das USF que responderam escapou a pelo menos uma indisponibilidade das aplicações no ano avaliado. Em 91,1% das unidades as falhas aconteceram três ou mais vezes e, dentro deste grupo, 15,7% contaram mais de 50 episódios. A percentagem de unidades que esperaram mais de um dia até recuperar o acesso subiu de 10% para 15,7%, e 98,7% dos coordenadores dizem que as interrupções afetaram a qualidade dos cuidados, o valor mais alto desde que o indicador é medido.

Segundo o presidente da USF-AN, André Biscaia, citado pelo Pplware, quando está tudo informatizado e não há papel de reserva, uma falha que dure um dia obriga as equipas a "trabalhar no escuro" e cria um risco clínico para o utente. O problema não está nos equipamentos: 73% dos coordenadores consideram adequados os computadores, mas só 22% concordam que as aplicações comunicam bem umas com as outras.

## eVacinas em queda na época da gripe

O estudo mede também a satisfação com os programas que as equipas usam no dia a dia. O caso mais marcado é o do eVacinas, onde se registam as vacinas dadas, historicamente o mais bem avaliado: a satisfação caiu de 61,9% para 43,7%, a maior descida de sempre. A USF-AN admite que a quebra esteja ligada à versão 2.0, lançada em abril de 2026, embora o relatório não o demonstre. Biscaia disse ao Pplware que, em plena campanha de vacinação contra a gripe, o sistema está muitas vezes lento ou simplesmente não funciona, o que leva os enfermeiros a vacinar sem confirmar se a pessoa já foi vacinada ou se tem alguma restrição.

O SClínico Central, o programa de registo clínico, também perdeu apoio: a satisfação desceu de 36,1% para 28,4% e a insatisfação chegou aos 48,5%. Na Prescrição Eletrónica Médica, que gera as receitas, a satisfação recuou de 48,4% para 43,6%. O apoio informático dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) só é bem avaliado por 28,5% dos coordenadores, contra 53,7% para o apoio de proximidade das Unidades Locais de Saúde.

Para resolver o problema, a USF-AN propõe um Registo de Saúde Eletrónico único, centrado no utente, testes às novas versões das aplicações antes de chegarem às unidades e correção mais rápida dos erros comunicados. Até ao fecho deste artigo não era conhecida uma resposta dos SPMS ao estudo.
