# Vodafone e mais três operadoras europeias preparam candidatura conjunta para ligar telemóveis a satélites

> A Deutsche Telekom, a Orange, a Telefónica e a Vodafone assinaram uma carta de intenções para disputar as frequências europeias de serviços móveis por satélite, cujos direitos atuais terminam em maio de 2027. Prometem abrir o serviço a todas as operadoras, mas ainda não têm parceiro para os satélites.

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- Autoria: Redação
- Publicado: 28 de outubro de 2026
- Etiquetas: Vodafone, Satélites, Telecomunicações, Direct-to-Device, Starlink

## Em resumo

- A Deutsche Telekom, a Orange, a Telefónica e a Vodafone assinaram uma carta de intenções para uma possível candidatura conjunta ao espectro de serviços móveis por satélite.
- O objetivo é oferecer ligação direta de satélites a telemóveis comuns, a chamada Direct-to-Device, em zonas sem rede terrestre.
- As quatro operadoras dizem que o serviço ficaria aberto a todas as outras operadoras móveis, em condições não discriminatórias.
- Não vão construir satélites próprios: o parceiro que fornecerá a constelação ainda não foi escolhido.
- Os direitos atuais sobre a faixa dos 2 GHz, da Inmarsat e da EchoStar, terminam em maio de 2027, segundo a ANACOM.

Quatro dos maiores grupos de telecomunicações da Europa querem ter uma palavra a dizer na ligação direta entre satélites e telemóveis. A Deutsche Telekom, a Orange, a Telefónica e a Vodafone, que está presente em Portugal, assinaram uma carta de intenções para estudar uma candidatura conjunta às frequências de serviços móveis por satélite que a União Europeia vai voltar a atribuir. O anúncio foi feito num comunicado conjunto a 19 de outubro. Ainda é só uma intenção: as empresas não se comprometeram com uma candidatura nem com datas.

## Satélite no telemóvel de sempre

O que está em jogo é a tecnologia conhecida como Direct-to-Device, que permite a um telemóvel comum falar diretamente com um satélite, sem antenas especiais. Na prática, serve para manter a ligação em zonas mal servidas pelas redes terrestres. As operadoras apresentam o projeto como resposta à procura de cobertura total, mas também como forma de reforçar a resiliência das redes públicas e de proteger as comunicações críticas.

O modelo proposto tem uma particularidade. Segundo o comunicado, as quatro operadoras montariam na Europa a infraestrutura terrestre e as funções de coordenação e monitorização, mas não vão investir diretamente numa constelação de satélites. Essa parte ficará a cargo de um parceiro ainda por escolher. As empresas dizem que o serviço ficaria disponível para todas as operadoras móveis, com acesso aberto e não discriminatório, o que em teoria incluiria a MEO, a NOS e a DIGI. Acrescentam ainda que o acordo não substitui as parcerias com empresas de satélites que cada uma já tem.

## A faixa que a Starlink também quer

A disputa centra-se na faixa dos 2 GHz, destinada aos serviços móveis por satélite. Segundo um documento da ANACOM publicado a 21 de outubro, esta faixa está atribuída a nível europeu a dois operadores, a Inmarsat e a EchoStar, e os respetivos direitos terminam em maio de 2027. A Comissão Europeia apresentou em maio de 2026 uma proposta de regulamento com um novo regime para a faixa, que ainda está em processo legislativo.

É a mesma faixa que a SpaceX tentou usar em Portugal através de um aluguer de frequências à EchoStar, para ligar a segunda geração da Starlink a telemóveis não modificados. A ANACOM aprovou a 20 de outubro um sentido provável de decisão para recusar esse pedido e lembrou que, mesmo que o aprovasse, a autorização só valeria até maio de 2027.

Para quem tem telemóvel em Portugal nada muda para já. Não há data para o serviço das operadoras europeias, nem preços, e a candidatura depende das regras que Bruxelas ainda tem de fechar.
