# MOBI.E deixa de ser obrigatória para os postos de carregamento: o que muda para quem tem um carro elétrico

> Com o novo regime da mobilidade elétrica, a empresa pública deixa de ser o centro da rede e passa a concorrer com outras plataformas. Lançou o Mobi.Hub para manter a interoperabilidade e quer gerir os pagamentos com cartão bancário nos transportes públicos a partir de 2027.

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- Categoria: Mobilidade
- Autoria: Redação
- Publicado: 26 de outubro de 2026
- Etiquetas: MOBI.E, Carros elétricos, Carregamento, Transportes públicos

## Em resumo

- Com o novo regime jurídico, a MOBI.E deixa de ser a entidade gestora da rede e passa a recolher dados do setor para o IMT; a transição dura até ao fim de 2027.
- O Mobi.Hub permite aos operadores dos postos e às empresas que vendem o carregamento fazerem acordos diretos, mas aderir passa a ser opcional.
- O objetivo declarado é que, a 1 de janeiro de 2028, os condutores não sintam diferença nem precisem de aprender regras novas.
- A empresa assinou um protocolo com a CP, os metros de Lisboa, Porto e Mondego, a Transtejo Soflusa e as áreas metropolitanas para alargar o pagamento com cartão bancário.
- Esse serviço para transportes deve começar a ser testado com novos operadores no primeiro semestre de 2027.

Se tens um carro elétrico, carregas hoje em quase todos os postos públicos do país com o mesmo cartão ou a mesma app, porque todos passam pela plataforma da MOBI.E. Essa peça central vai deixar de ser obrigatória. Com o novo regime jurídico da mobilidade elétrica, a empresa pública deixa de ser a Entidade Gestora da Rede de Mobilidade Elétrica e passa a ser a entidade que agrega os dados do setor e os entrega ao Instituto da Mobilidade e dos Transportes, explicou ao ECO o presidente, António Veiga Ferrão. Durante a transição, que vai até ao final de 2027, faz os dois papéis.

## Mobi.Hub: a mesma rede, mas por escolha

Para não deixar a rede partir-se em pedaços, a MOBI.E apresentou na semana passada o Mobi.Hub, uma plataforma de roaming onde os operadores dos postos e os prestadores de serviços de mobilidade elétrica, as empresas que te vendem o carregamento através de um cartão ou de uma app, fecham acordos comerciais diretamente. Segundo o ECO, é muito parecida com a plataforma que existe hoje. A diferença é que aderir passa a ser opcional e há serviços novos, como uma gestão mais automática de disputas entre empresas. A administradora Sílvia Amaral admitiu que os operadores ainda não disseram o que vão fazer, e a MOBI.E diz estar pronta para assinar contratos.

Lançou também o Mobi.Charge, para operadores que não têm um sistema próprio de gestão dos postos. Trata do início e fim do carregamento, da faturação e dos alertas, e permite preços diferentes conforme a hora do dia ou o tempo de carregamento. Na lista de planos está ainda o plug-and-charge, em que o carro se identifica sozinho ao ligar o cabo.

## O que muda para ti

Para já, nada. A empresa diz que a transição será gradual e que, a 1 de janeiro de 2028, o objetivo é que os condutores não tenham de sentir nenhum impacto, segundo a Ambiente Magazine. O risco discutido é o de Espanha, onde os utilizadores precisam de várias aplicações para encontrar e usar postos de redes diferentes. A MOBI.E reconhece que outras plataformas podem garantir a mesma experiência, mas acredita que os condutores vão preferir os comercializadores que mantiverem o acesso a toda a rede. Convém teres isso em conta quando escolheres ou mudares de cartão de carregamento.

## Do posto ao autocarro

A empresa tem uma nova assinatura, "Ligamos a mobilidade", e quer crescer nos transportes públicos e nos dados. Há cerca de um mês assinou um protocolo com a CP, o Metro de Lisboa, o Metro do Porto, os Transportes Metropolitanos de Lisboa e do Porto, a Transtejo Soflusa e o Metro Mondego para alargar o pagamento com cartão bancário nos transportes. A ideia é gerir esses pagamentos à escala nacional, para que operadores mais pequenos não tenham de montar o sistema sozinhos, e servir sobretudo quem usa o transporte de vez em quando ou está de visita a outra cidade.

O serviço deve começar a ser testado com novos operadores no primeiro semestre de 2027. Ferrão admite que, no futuro, o cartão bancário possa funcionar como um passe mensal, deixando de cobrar quando chegas ao valor do passe, mas não há data para isso.
