# Projeto europeu BERTHA estudou os condutores para os carros automatizados guiarem de forma mais previsível

> Durante três anos e com quase 8 milhões de euros da União Europeia, um consórcio de seis países criou um modelo do comportamento de quem conduz para testar sistemas de assistência em simulador. Há duas organizações portuguesas envolvidas. Os resultados foram mostrados em Bruxelas a 21 de outubro.

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- Endereço: https://megazine.pt/mobilidade/projeto-europeu-bertha-estudou-os-condutores-para-os-carros-automatizados
- Categoria: Mobilidade
- Autoria: Redação
- Publicado: 4 de novembro de 2026
- Etiquetas: Condução automatizada, Horizonte Europa, Investigação, Segurança rodoviária

## Em resumo

- O BERTHA, financiado pelo Horizonte Europa, decorreu de novembro de 2023 a outubro de 2026, com uma contribuição europeia de cerca de 7,98 milhões de euros.
- O projeto criou um modelo probabilístico do comportamento dos condutores, que abrange perceção, atenção, decisão e emoções.
- O projeto criou também uma plataforma aberta para guardar e partilhar dados de comportamento e ferramentas para gerar cenários de condução em simulador.
- A FI Group, de Lisboa, e o laboratório colaborativo VORTEX, de Vila Nova de Gaia, constam do consórcio no CORDIS.
- O evento final foi em Bruxelas, a 21 de outubro, com uma mesa-redonda sobre a confiança dos europeus na condução automatizada.

Um carro que trava, ultrapassa ou cede a passagem de forma diferente do que esperarias de outro condutor pode assustar quem vai lá dentro e confundir quem vem atrás. Foi a partir deste problema que nasceu o BERTHA, um projeto de investigação europeu que passou três anos a estudar como reagem as pessoas ao volante para que os sistemas de condução automatizada se comportem de forma mais previsível. Os resultados foram apresentados a 21 de outubro, em Bruxelas, no evento de encerramento. A FI Group by EPSA, consultora de financiamento da inovação com presença em Portugal e responsável pela comunicação do projeto, divulgou-os num comunicado datado de 27 de outubro.

## Quem fez e com quanto dinheiro

Segundo o CORDIS, a base de dados de projetos da Comissão Europeia, o BERTHA arrancou a 1 de novembro de 2023 e terminou a 31 de outubro de 2026, com um custo total de cerca de 7,98 milhões de euros, inteiramente pago pelo programa Horizonte Europa. A coordenação coube ao Instituto de Biomecânica de Valência, em Espanha. No consórcio estão centros de investigação como o alemão DFKI, especializado em inteligência artificial, universidades e empresas como a Capgemini Engineering, a Europcar, a sueca Smart Eye e a Panasonic Automotive, além de um parceiro associado da Coreia do Sul.

Há duas entidades portuguesas na lista. A FI Group (registada no CORDIS como F. Iniciativas, com sede em Lisboa) tratou da comunicação, da divulgação e da exploração dos resultados. O VORTEX, um laboratório colaborativo de sistemas ciberfísicos e cibersegurança de Vila Nova de Gaia, também consta do consórcio.

## O que o projeto produziu

O centro do trabalho é um modelo do comportamento do condutor, descrito no site do projeto como probabilístico e assente sobretudo em redes bayesianas. Segundo o consórcio, o modelo tenta reproduzir a perceção, a atenção, a tomada de decisão e até as reações emocionais de quem conduz. O site prevê a sua passagem para o CARLA, um simulador de condução de código aberto desenvolvido pelo Centro de Visão por Computador, um dos parceiros espanhóis, e o evento final mostrou a plataforma aberta (Open HUB) criada para guardar e partilhar dados de comportamento.

Na prática, isto serve sobretudo aos fabricantes e aos laboratórios. Uma das demonstrações em Bruxelas mostrou como diferentes perfis de condutores podem ser colocados num ambiente simulado para ver, antes de chegar à estrada, como reage um sistema automatizado em situações de trânsito complicadas. O evento incluiu também uma mesa-redonda sobre o que é preciso para os europeus confiarem na condução automatizada, com participação da FI Group.

## O que muda para quem conduz

Para já, nada que se veja no teu carro. O BERTHA não é um produto, e nem o comunicado nem o site indicam que marcas vão usar o modelo ou em que sistemas de assistência. O que fica são ferramentas e métodos de teste que, segundo o consórcio, podem apoiar futuros projetos europeus de mobilidade automatizada. Com o projeto terminado a 31 de outubro, falta saber quem vai manter a plataforma aberta e os dados disponíveis daqui para a frente.
