# Trotinetes partilhadas vão sair de Lisboa: Câmara aprovou a suspensão e dá 60 dias aos operadores

> A proposta passou a 21 de outubro com a abstenção do PS e os votos contra da IL, parceira de Carlos Moedas, e do Livre. A autarquia diz que não prevê o regresso do serviço e conta ter as ruas sem trotinetes de aluguer até ao fim de janeiro. Em troca, promete mais bicicletas Gira.

- Publicação: MEGAzine (https://megazine.pt/)
- Endereço: https://megazine.pt/mobilidade/trotinetes-partilhadas-vao-sair-de-lisboa-camara-aprovou-a-suspensao-e-da-60
- Categoria: Mobilidade
- Autoria: Redação
- Publicado: 26 de outubro de 2026
- Etiquetas: Trotinetes, Lisboa, Micromobilidade, Gira

## Em resumo

- A Câmara de Lisboa aprovou a 21 de outubro a suspensão das trotinetes elétricas partilhadas e a rescisão do acordo de 2023 com os operadores.
- As empresas têm 10 dias para se pronunciarem por escrito e 60 dias para retirar todas as trotinetes; depois disso, a Câmara pode removê-las e cobrar os custos.
- Votaram contra a IL e o Livre, e o PS, o BE e o PCP abstiveram-se.
- O vice-presidente Gonçalo Reis disse à RTP que a medida é definitiva e que espera não ter trotinetes partilhadas na cidade no fim de janeiro.
- A deliberação inclui mais estações e bicicletas Gira e um regulamento municipal para a mobilidade suave, a apresentar no prazo de um ano.

As trotinetes elétricas que se alugam por aplicação têm os dias contados em Lisboa. A Câmara Municipal aprovou na quarta-feira, 21 de outubro, a suspensão do sistema de trotinetes partilhadas, uma semana depois de Carlos Moedas ter anunciado a intenção. A proposta, assinada pelo vereador da Mobilidade, Gonçalo Reis, foi discutida em reunião privada e votada ponto a ponto, segundo a Lusa, citada pelo Observador. A decisão de suspender o serviço passou com os votos a favor do PSD, do CDS-PP e dos independentes da maioria, a abstenção de PS, BE e PCP e os votos contra do Livre e dos dois vereadores da IL, que governam a cidade em coligação com Moedas.

## O que diz a deliberação

A Câmara rescinde de forma unilateral, invocando o interesse público, o acordo de colaboração que tinha assinado em janeiro de 2023 com os operadores. O texto aprovado proíbe a circulação e o estacionamento no espaço público de todas as trotinetes ligadas a serviços de partilha de empresas privadas. Os operadores têm 10 dias para se pronunciarem por escrito; se não o fizerem, a decisão torna-se definitiva. A partir daí contam 60 dias para retirarem todos os veículos, e a Câmara pode depois fazer a remoção à força e cobrar o transporte e o depósito às empresas.

A autarquia justifica a medida com o aumento das queixas por condução em contramão e nos passeios e com falhas nos sistemas que deviam bloquear à distância as trotinetes em situação irregular. Em comunicado, Moedas falou de pessoas idosas, cegas ou com carrinhos de bebé com a passagem bloqueada. Antes da votação, Gonçalo Reis tinha dito à RTP Antena 1 que não prevê o regresso das trotinetes e que conta ter a cidade sem elas até ao fim de janeiro de 2027. Lisboa segue Paris, Madrid e Bruxelas e, em Portugal, Braga, Vila Nova de Gaia e Espinho.

## O que muda para quem se desloca de trotinete

A proibição abrange só os serviços de partilha. Se tens trotinete própria, a deliberação não te diz respeito. Em compensação, a Câmara compromete-se a alargar a rede de ciclovias e a aumentar o número de estações e de bicicletas da Gira, mas o comunicado não traz metas nem datas para isso. Também ficou decidido que o projeto de um Regulamento Municipal para a Mobilidade Suave tem de ser apresentado no prazo de um ano.

A oposição dividiu-se. O BE diz que não é aceitável tirar cerca de 5.000 trotinetes sem uma alternativa pública suficiente, e o PCP viu chumbada a proposta de estudar trotinetes partilhadas dentro da própria Gira. O Livre, que viu rejeitada uma moratória de seis meses só nas ruas sem ciclovia separada, considera a decisão um retrocesso e avisa que rasgar o acordo pode expor o município a processos e pedidos de indemnização. A Bolt, a Bird e a Lime, que operam na cidade, já tinham dito em conjunto, noutras ocasiões, que estavam disponíveis para trabalhar com os municípios, lembra a RTP.

Continua por resolver o pedido do Automóvel Club de Portugal para um referendo municipal sobre as trotinetes, que segundo a RTP depende agora da Assembleia Municipal. Quanto ao calendário, a proposta aponta para a retirada até ao final deste ano, enquanto o vice-presidente fala no fim de janeiro, por os 60 dias só contarem depois da notificação formal das empresas.
