# Burlas por falsos polícias aumentam e usam o número verdadeiro da GNR, da PSP ou da PJ no ecrã do telemóvel

> A GNR registou 193 casos desde 2024, a maioria por telefone, com burlões que se fazem passar por inspetores da ASAE ou da Polícia Judiciária. Com uma técnica de disfarce do número, a chamada parece vir mesmo de um posto ou de uma esquadra.

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- Categoria: Segurança
- Autoria: Redação
- Publicado: 15 de outubro de 2026
- Etiquetas: GNR, Burlas, Chamadas falsas, Caller ID spoofing, Portugal

## Em resumo

- A GNR contou 193 burlas por falsos agentes entre janeiro de 2024 e 31 de maio de 2026: 69 em 2024, 76 em 2025 e 48 só nos primeiros cinco meses de 2026.
- Em cerca de 70% dos casos, os burlões fingem ser inspetores da ASAE ou da Polícia Judiciária.
- O telefone foi o meio usado em 142 dos 193 casos, muitas vezes com o número real de um posto da GNR, de uma esquadra da PSP ou da PJ a aparecer no ecrã.
- O esquema mais comum é exigir o pagamento imediato de uma coima com desconto ou a transferência de poupanças para uma falsa conta de segurança.
- A GNR lembra que não há descontos para pagar coimas por telefone e aconselha a desligar e contactar as autoridades pelos canais oficiais.

O telemóvel toca e no ecrã aparece o número de um posto da GNR. Do outro lado, alguém com tom formal e apressado diz que há uma infração por pagar, uma investigação em curso ou um familiar detido. A GNR divulgou a 12 de outubro um balanço destas burlas por falsos agentes e o número de casos tem vindo a subir: 69 em 2024, 76 em 2025 e 48 só entre janeiro e maio de 2026, num total de 193 crimes registados pela Guarda.

## Como funciona o golpe

Em cerca de 70% das ocorrências, os burlões fazem-se passar por inspetores da ASAE ou da Polícia Judiciária, mas também usam o nome da PSP e da própria GNR. O telefone foi o meio de contacto em 142 dos 193 casos. Segundo a GNR, é frequente recorrerem ao chamado caller ID spoofing, uma técnica que faz aparecer no ecrã da vítima o número verdadeiro e público de um posto, de uma esquadra ou de um departamento da PJ. É isso que desarma a desconfiança inicial.

A GNR identifica três guiões principais. No primeiro, os burlões ligam a lojas, restaurantes ou particulares a anunciar uma fiscalização ou uma irregularidade grave, com ameaça de encerramento ou de coimas pesadas, e propõem arquivar o processo com o pagamento imediato de uma coima reduzida, por transferência ou referência Multibanco. No segundo, dizem à vítima que está ligada a crimes como branqueamento de capitais ou ataques informáticos às contas bancárias e mandam transferir as poupanças para uma suposta conta de segurança, por vezes usando nomes de inspetores reais. O terceiro visa sobretudo pessoas idosas, com a história de um familiar que causou um acidente ou está detido e precisa de uma indemnização paga de imediato.

## Quem é visado e onde

A maioria das 172 vítimas identificadas está em idade ativa: 49 tinham entre 51 e 64 anos e 33 entre 41 e 50. Os distritos com mais queixas são o Porto (33), Lisboa (23) e Setúbal (18). Cerca de três quartos dos crimes acontecem de dia, com mais casos às quintas-feiras (45) e às sextas (33). As casas particulares são o alvo mais comum (88 casos), seguidas do comércio e da restauração (56).

## O que fazer se te ligarem

O número no ecrã não prova nada, porque pode ser falsificado. A GNR deixa quatro regras: não faças pagamentos imediatos nem dês dados pessoais ou bancários por telefone; lembra-te de que não existem descontos para pagar coimas ou multas na hora, por telefone ou por meios digitais; exige identificação policial formal; e, perante pedidos urgentes de dinheiro, desliga e contacta tu as autoridades pelos canais oficiais.

Se já caíste no esquema, a GNR pede que contactes as autoridades o mais depressa possível e que, até lá, reúnas o máximo de informação possível, como o número que te ligou e os comprovativos de pagamento, e identifiques testemunhas. A Guarda sublinha que a denúncia é o que permite acompanhar este tipo de crime. Os números divulgados são os registados pela GNR e vão até 31 de maio de 2026.
