# Ciberataque descongelou arcas frigoríficas em centenas de supermercados franceses

> Na noite de domingo, alguém entrou à distância nos sistemas que controlam o frio de várias cadeias de supermercados em França e ativou a descongelação. Entre 250 e 350 lojas tiveram de retirar produtos frescos e congelados. O Ministério Público de Paris abriu uma investigação.

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- Categoria: Segurança
- Autoria: Redação
- Publicado: 13 de outubro de 2026
- Etiquetas: Ciberataque, França, Supermercados, Danfoss, Internet das Coisas

## Em resumo

- O ataque ocorreu na noite de 11 de outubro e afetou entre 250 e 350 lojas, segundo a imprensa francesa citada pelo BleepingComputer.
- Entre as cadeias atingidas estão a Intermarché, Coopérative U, Carrefour Market, Monoprix, Leclerc e Super U.
- Os atacantes usaram controladores de refrigeração da Danfoss com software antigo para ativar a descongelação automática.
- Um investigador encontrou 2.752 sistemas Danfoss acessíveis pela internet, 1.590 deles em França.
- Nenhuma das fontes refere lojas afetadas fora de França.

Um ciberataque desligou o frio em centenas de supermercados franceses na noite de domingo, 11 de outubro. Segundo o BleepingComputer, os atacantes tomaram conta, à distância, dos controladores que gerem as arcas e os expositores refrigerados e mandaram-nos descongelar. A imprensa francesa citada pelo site aponta para 250 a 350 lojas afetadas, com perdas financeiras elevadas e muita comida deitada fora.

## O que aconteceu

As vítimas conhecidas são algumas das maiores insígnias do retalho alimentar em França: Intermarché, Coopérative U, Carrefour Market, Monoprix, Leclerc e Super U. Em comum têm controladores de refrigeração da Danfoss a correr versões antigas do software. Os atacantes não precisaram de estragar nada: limitaram-se a acionar a função de descongelação automática que os equipamentos já trazem, e a temperatura subiu.

A Intermarché confirmou ao BleepingComputer que alguns expositores de frescos e congelados ficaram fora de serviço na sequência de um ataque a um prestador que gere os sistemas de frio das lojas, e que os produtos foram retirados. O presidente da Coopérative U, Dominique Schelcher, confirmou também o incidente em várias lojas da rede e classificou-o como "extremamente grave" e sem precedentes. O Ministério Público de Paris disse à AFP que abriu uma investigação para identificar as vítimas e apurar a ligação entre o ataque e os danos comunicados, que incluem perda de alimentos e focos de incêndio.

## Milhares de sistemas à vista na internet

Ainda não se sabe como os controladores foram comprometidos nem quem está por trás do ataque. O BleepingComputer lembra, porém, que a agência norte-americana de cibersegurança (CISA) avisou em 2025 para duas falhas na plataforma Danfoss AK-SM 800A, usada para gerir refrigeração e climatização em lojas de alimentação. Uma permitia contornar a autenticação e a outra injetar comandos, e os investigadores que as descobriram publicaram em agosto os detalhes de como podiam ser exploradas.

O problema é agravado pela exposição dos equipamentos. Baptiste Robert, da Predicta Lab, encontrou na segunda-feira 2.752 sistemas Danfoss acessíveis pela internet, 1.590 dos quais em França. O motor de busca Shodan, que cataloga aparelhos ligados à rede, regista mais de 4.500. A Danfoss não respondeu de imediato ao pedido de comentário do site.

## E fora de França

Nenhuma das fontes refere lojas afetadas noutros países. Os números de equipamentos expostos mostram, ainda assim, que mais de mil ficam fora de França, sem que se saiba onde.

No mesmo dia, o grupo Ahold Delhaize, dono de cadeias de supermercados na Europa e nos Estados Unidos, anunciou que desligou parte dos seus sistemas após um incidente de cibersegurança. Segundo o BleepingComputer, não há para já indícios de que os dois casos estejam ligados.

Para quem gere uma loja, um restaurante ou um armazém com frio controlado à distância, o caso deixa duas verificações concretas: confirmar com o instalador se o software dos controladores está atualizado e se a interface de gestão está acessível a partir da internet sem proteção. A investigação francesa ainda não divulgou conclusões.
