# Extensões do Chrome desviavam as pesquisas de 13,4 milhões de pessoas: como ver se o teu browser foi afetado

> Diziam converter PDF, encontrar manuais ou proteger a navegação, mas a única coisa que faziam era trocar o motor de pesquisa e passar tudo o que escreves por um servidor de terceiros. A investigação da Socket junta 319 extensões ao longo de dez anos.

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- Categoria: Segurança
- Autoria: Redação
- Publicado: 2 de novembro de 2026
- Etiquetas: Google Chrome, Extensões, Pesquisa, Privacidade

## Em resumo

- A Socket identificou 319 extensões do Chrome, com cerca de 13,4 milhões de instalações somadas, que trocavam o motor de pesquisa predefinido.
- As pesquisas passavam por um servidor dos operadores antes de chegar ao Bing ou ao Yahoo, que pagavam comissões pelo tráfego.
- Muitas extensões estavam escondidas da pesquisa da Chrome Web Store e eram instaladas a partir de anúncios em sites de baixa qualidade.
- Segundo o investigador, o servidor intermédio pode mudar o destino de cada pesquisa e levar a páginas de phishing sem atualizar a extensão.
- A maioria já foi retirada da loja, mas a Socket recomenda remover as extensões da lista e passar um antivírus no computador.

Se instalaste no Chrome uma extensão para converter PDF, encontrar manuais de instruções ou fazer pesquisas "seguras", convém ir ver o que lá está. A empresa de segurança Socket publicou a 29 de outubro uma investigação sobre 319 extensões que, somadas, chegaram a cerca de 13,4 milhões de instalações e que tinham uma única função: apoderar-se do motor de pesquisa do browser. O trabalho, assinado pelo investigador John Tuckner, acrescenta 264 extensões e 8,7 milhões de utilizadores a uma lista que ele próprio tinha começado em abril de 2025.

## Como funcionava o desvio

As extensões apresentavam-se como ferramentas úteis, mas usavam uma definição do próprio Chrome que permite a uma extensão substituir o motor de pesquisa predefinido. Cada pesquisa que fazias na barra de endereço ia primeiro para um servidor controlado pelos operadores e só depois chegava ao Bing ou ao Yahoo, com um código de parceiro que rendia comissões sobre os anúncios. Segundo a Socket, uma das extensões analisadas era apenas um ficheiro de configuração e três ícones, sem código e sem pedir qualquer permissão.

A maioria nem aparecia na pesquisa da Chrome Web Store, porque estava marcada como não listada. Chegava aos utilizadores através de anúncios em janelas que se abrem por cima ou por baixo da página, em blogues e sites de conteúdo de pouca qualidade. Os maiores grupos são a vaga SecuryBrowse, com 58 extensões e cerca de 4,9 milhões de utilizadores (nomes como Fire Shield, Securify ou WatchTower), e o conjunto Bing-Search, com 37 extensões e 2,2 milhões.

## Porque é mais do que publicidade

Como as pesquisas passam pelo servidor intermédio, o operador fica com o histórico do que procuras. Tuckner alerta ainda que esse servidor decide o destino de cada pesquisa no momento e pode passar a mandar-te para phishing ou para descargas maliciosas sem mexer na extensão. Num dos testes, a extensão Predator Search, com 50 mil utilizadores, enviou seis pesquisas iguais para quatro sítios diferentes.

Segundo o BleepingComputer, a maioria destas extensões já tinha sido retirada da loja quando o relatório saiu, mas continuam a surgir outras. A Google não respondeu ao pedido de comentário daquele site.

## O que deves verificar

No Chrome para computador, abre o menu dos três pontos, escolhe Extensões e depois a opção de gerir extensões. Remove tudo o que não reconheces ou já não usas, sobretudo ferramentas genéricas de PDF, manuais, meteorologia ou "pesquisa segura". A lista completa, com os identificadores de cada extensão, está no fim do relatório da Socket.

Depois, nas Definições, abre a secção do motor de pesquisa e confirma qual está escolhido. A ajuda da Google avisa que uma mudança inesperada do motor de pesquisa pode ser sinal de malware. A Socket recomenda ainda passar uma análise completa com o antivírus e evitar instalar extensões de editores que não conheces.
