# Robô de companhia Eiliko guarda milhões de conversas de famílias em servidores expostos, diz investigador

> O pequeno robô da Energize Lab conversa com as crianças através de uma IA na nuvem. Um investigador independente diz que as conversas ficam em texto simples num centro de dados em Pequim, que são usadas para traçar perfis das famílias e que qualquer pessoa pode mudar o que o robô diz.

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- Categoria: Segurança
- Autoria: Redação
- Publicado: 19 de outubro de 2026
- Etiquetas: Privacidade, Brinquedos inteligentes, Energize Lab, Fuga de dados, Crianças

## Em resumo

- O investigador Sammy Azdoufal contou mais de 9,1 milhões de conversas guardadas em texto simples nos servidores da Energize Lab, a fabricante dos robôs Eilik e Eiliko.
- Segundo o relatório, um processo noturno extrai das conversas perfis com nome, idade e morada das crianças; já havia mais de 32 mil perfis a 13 de outubro.
- O investigador e a The Verge conseguiram alterar à distância o que o robô diz, incluindo pô-lo a defender que a Terra é plana.
- A Energize Lab não respondeu aos avisos enviados desde junho e, a 13 de outubro, 32 das 40 falhas testadas à distância continuavam por corrigir.
- A Malwarebytes recomenda desligar o robô da rede Wi-Fi até haver confirmação de que as falhas foram corrigidas.

O Eiliko é um pequeno robô de secretária, com uma cara num ecrã, que reage ao toque e conversa com quem fala com ele. É vendido como companheiro, sobretudo para crianças, e é a versão mais recente do Eilik, da fabricante Energize Lab. O investigador independente Sammy Azdoufal comprou um em junho e passou quatro meses a estudá-lo. As conclusões, publicadas num relatório datado de 13 de outubro e noticiadas pela The Verge e pela empresa de cibersegurança Malwarebytes, descrevem um aparelho que guarda tudo o que ouve em servidores que, segundo ele, estão abertos a quem souber procurar.

## O que o investigador encontrou

O robô não pensa sozinho. Grava o que lhe dizem e envia para os servidores da Energize Lab, onde um modelo de IA alugado à Alibaba escreve a resposta, que volta ao robô em voz sintetizada. Segundo o relatório, essas conversas ficam guardadas em texto simples numa base de dados num centro de dados em Pequim, e eram mais de 9,1 milhões a 13 de outubro (a The Verge fala em 13 milhões). O investigador estima entre 62 mil e 68 mil robôs ativos em todo o mundo e encontrou casas ligadas ao serviço em 129 países.

O ponto mais grave, diz o relatório, é o que acontece de noite: um processo automático lê as conversas e preenche, para cada família, um perfil com 24 campos, como o nome e a idade da criança, a morada e informações sobre os pais. A 13 de outubro havia mais de 32 mil perfis de crianças, algo que não consta da política de privacidade. Num servidor público havia ainda gravações de voz das casas e fotografias de famílias. O investigador diz também que uma conta gratuita bastava para forjar um acesso de administrador e ler as conversas de qualquer família, e que encontrou sinais de que terceiros entraram no servidor desde março.

Há ainda a manipulação. Azdoufal alterou à distância a memória do robô de um jornalista da The Verge, pondo-o a inventar dados pessoais, a garantir que a Terra é plana e, mais tarde, a ter conversas de teor sexual e ofensivo. Antes de tudo isto, perguntou ao seu próprio robô se contava a alguém o que ouvia. A resposta, guardada na mesma base de dados, foi "os teus segredos estão seguros comigo".

## A fabricante não respondeu

O relatório descreve tentativas de contacto com a Energize Lab desde junho, por email, pela app e por outros canais, sem resposta. A The Verge também não obteve respostas concretas. No último teste, a 13 de outubro, 32 das 40 falhas que se podem verificar à distância continuavam abertas e oito tinham sido corrigidas.

O Eilik e o Eiliko vendem-se em lojas online, incluindo revendedores europeus. Se tens um em casa, a Malwarebytes aconselha a desligá-lo do Wi-Fi até a marca confirmar que corrigiu as falhas. O investigador vai mais longe: diz que nenhuma definição do lado do utilizador resolve o problema e que o robô deve ser tratado como um microfone ligado à internet no quarto da criança.
