# Vídeos «Prepara-te comigo» feitos por crianças revelam a escola e as rotinas: como fechar as contas

> Um uniforme, o logótipo da mochila ou a rua vista da janela parecem pormenores sem importância, mas juntos dizem onde a criança estuda e a que horas sai de casa. A Kaspersky deixa conselhos aos pais, e o TikTok, o Instagram e o YouTube já têm definições que ajudam.

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- Categoria: Segurança
- Autoria: Redação
- Publicado: 4 de novembro de 2026
- Etiquetas: Kaspersky, Crianças, Privacidade, TikTok, Instagram

## Em resumo

- A Kaspersky alerta que os vídeos «Get ready with me» das crianças juntam pistas que, combinadas, revelam a escola, os locais frequentados e os horários.
- Esses pormenores podem tornar mais credíveis mensagens de phishing ou perfis falsos que se fazem passar por alguém conhecido.
- No TikTok, as contas de adolescentes até aos 18 anos começam privadas e, abaixo dos 16, ninguém pode fazer Duet ou Stitch com os vídeos.
- No Instagram, quem tem menos de 16 anos precisa da autorização de um pai para tornar menos rígidas as definições da Conta de Adolescente.
- No YouTube, os vídeos de quem tem entre 13 e 17 anos ficam privados por predefinição; um vídeo não listado pode ser visto por qualquer pessoa com a ligação.

Os vídeos «Get ready with me» («Prepara-te comigo», em português) são um dos formatos mais populares entre crianças e adolescentes: a rotina da manhã antes da escola, a roupa escolhida, os cremes, os planos para o dia. Num comunicado divulgado a 2 de novembro, a Kaspersky avisa que estes vídeos, aparentemente inofensivos, podem dizer muito mais sobre a vida de uma criança do que ela imagina. Nenhum deles precisa de mostrar uma morada ou um número de telefone para isso acontecer.

## O que um vídeo de três minutos pode revelar

A empresa de cibersegurança dá exemplos concretos: um uniforme escolar, o logótipo na mochila, a vista da janela, uma rua ao fundo, o nome de um amigo dito de passagem ou a hora a que costuma sair de casa. Cada pista sozinha vale pouco, mas juntas permitem perceber onde a criança estuda, por onde anda e com quem fala. Um nome de utilizador repetido noutras redes ajuda a ligar perfis, e contas antigas guardam pormenores de que a criança já nem se lembra.

Para quem quer enganar, isto é matéria-prima. Segundo a Kaspersky, a informação recolhida em perfis públicos serve para criar mensagens de phishing mais convincentes, fingir ser alguém conhecido da criança ou montar perfis falsos. A empresa sublinha que as crianças "nem sempre escolhem quando passam a estar expostas online", nas palavras de Andrey Sidenko, responsável pelos projetos de literacia digital, porque um vídeo pensado para os amigos pode chegar a milhares de pessoas.

## Os conselhos para os pais

A Kaspersky propõe cinco hábitos. O primeiro é ver o vídeo antes de o publicar como se fosse um desconhecido e perguntar o que se descobre a partir dele. O segundo é pesquisar de vez em quando o nome, as alcunhas e o email da criança para ver o que já está público. Os restantes passam por dar às apps só os dados e as permissões de que precisam, rever as definições de privacidade com regularidade (as plataformas mudam as opções e as predefinições) e apagar contas e publicações antigas que já não fazem sentido.

## Onde mexer no TikTok, no Instagram e no YouTube

No TikTok, o guia para pais da própria rede indica que as contas de adolescentes entre os 13 e os 17 anos começam privadas. Abaixo dos 16, os vídeos não aparecem no feed Para Ti, ninguém pode fazer Duet ou Stitch com eles e as mensagens diretas estão desligadas. A Sincronização Familiar (Family Pairing) liga a conta do pai à do filho para gerir privacidade e tempo de ecrã.

No Instagram, a Meta coloca os adolescentes em Contas de Adolescente, privadas por predefinição, e quem tem menos de 16 anos precisa da autorização de um pai para as tornar menos restritivas. Só quem a criança segue a pode identificar ou mencionar.

No YouTube, a página de ajuda indica que os vídeos de quem tem entre 13 e 17 anos ficam privados por predefinição. Atenção à opção «não listado»: o vídeo não aparece nas pesquisas, mas qualquer pessoa com a ligação o pode ver e partilhar, mesmo sem conta Google.

Estas proteções dependem da idade registada na conta. Se a data de nascimento indicada for a de um adulto, as predefinições para adolescentes não entram em jogo, por isso confirma-a quando ajudares a criar a conta.
