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Espaço

Astronauta da ESA vem a Lisboa explicar o que o espaço faz ao corpo, numa conversa gratuita a 22 de outubro

O astronauta alemão da ESA passou 177 dias na Estação Espacial Internacional e fez experiências com o próprio corpo. Na quinta-feira fala ao público na Faculdade de Medicina de Lisboa, sem inscrição, num simpósio sobre investigação biomédica fora da Terra.

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Matthias Maurer, de pólo azul da ESA, sentado na cúpula de sete janelas da Estação Espacial Internacional, rodeado de equipamento
Matthias Maurer na cúpula da Estação Espacial Internacional, durante a missão de 2021 e 2022. Imagem de arquivo. NASA / Wikimedia Commons (domínio público)

O astronauta alemão Matthias Maurer, da Agência Espacial Europeia (ESA), vem a Lisboa contar o que acontece ao corpo humano depois de meses sem gravidade. A conversa é na quinta-feira, 22 de outubro, às 15h00, na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, e é aberta ao público, gratuita e sem inscrição, segundo a Agência Espacial Portuguesa. Faz parte do Science and Space Symposium, dedicado à investigação biomédica fora da Terra, que decorre a 21 e 22 de outubro e é organizado pelo GIMM (Gulbenkian Institute for Molecular Medicine), pela faculdade e pela agência portuguesa.

Seis meses a servir de cobaia

Maurer esteve 177 dias na Estação Espacial Internacional, entre novembro de 2021 e maio de 2022, na missão Cosmic Kiss. Participou em dezenas de experiências científicas e fez uma caminhada espacial. Parte da investigação foi feita no próprio corpo: mediu a elasticidade e a rigidez dos músculos, fotografou a retina com uma lente clínica e testou a audição com o ruído de fundo constante da estação.

No espaço, os músculos enfraquecem, os ossos perdem massa e o corpo deixa de contar com a gravidade. Quando voltou, o astronauta admitiu que readaptar-se à Terra foi mais difícil do que aprender a viver sem peso. Como músculos, olhos e ouvidos também se degradam com a idade, e mais depressa em órbita, o corpo dos astronautas serve de modelo para estudar o envelhecimento cá em baixo. Maurer instalou ainda sensores de radiação em dez pontos da estação e testou superfícies antimicrobianas em condições espaciais.

O que há para ver no simpósio

A conversa da tarde é moderada por Sara Sá, responsável pela comunicação de ciência do GIMM. Antes, às 11h30, numa sessão do programa científico que exige inscrição, Maurer partilha o palco com o investigador português Diogo Paupério Abreu, do INESC TEC, que passou 100 dias confinado no estudo SOLIS100, sobre os efeitos do isolamento em missões espaciais longas. Às 15h50 há uma mesa-redonda de encerramento com o GIMM, a Faculdade de Medicina, a Agência Espacial Portuguesa e o AED Cluster Portugal.

Ao longo dos dois dias, investigadores e médicos discutem envelhecimento, microbioma, radiação e sistema cardiovascular, temas que interessam tanto aos hospitais como às missões espaciais. Há também uma ligação direta a Portugal: os resultados das experiências de Maurer e de outros astronautas da ESA estão guardados em Lisboa, no Exploration Biobank, o biobanco da agência europeia instalado no GIMM. Para a conversa das 15h00 não é preciso inscrição; a sessão das 11h30, essa, só é aberta a quem se inscrever no simpósio.

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