Energia
Hidrogénio renovável vai ser testado em Sines, Évora, Alandroal e na ilha da Culatra
Uma piscina municipal aquecida com uma mistura de hidrogénio, frotas autárquicas convertidas e uma ilha que guarda em hidrogénio a energia solar que sobra. O projeto H2tALENT, coordenado por Hugo Gonçalves Silva, da Universidade de Évora, quer provar no terreno toda a cadeia do hidrogénio verde.

O Alentejo vai servir de laboratório para o hidrogénio renovável. O projeto H2tALENT, coordenado pela Universidade de Évora, quer demonstrar em condições reais como este combustível pode ser produzido, transportado, armazenado e usado em setores diferentes, da indústria aos transportes e ao aquecimento de edifícios. Arrancou em 2024, dura até 2030 e tem como objetivo criar na região um Vale do Hidrogénio, aproveitando infraestruturas que já existem e novos investimentos.
A produção fica em Sines, onde está projetada uma unidade de 15 megawatts. O hidrogénio que de lá sair poderá ser injetado na rede de gás natural ou levado para os locais de utilização. No conjunto, o projeto prevê mais de 500 toneladas de hidrogénio renovável por ano. Hugo Gonçalves Silva, professor do Departamento de Física da Universidade de Évora e coordenador do H2tALENT, resume a ambição: cobrir toda a cadeia de valor, da produção ao consumo.
Três territórios, três usos
No Alandroal, o teste é à mobilidade. O projeto prevê apoiar a conversão de frotas municipais e de serviços públicos para sistemas a hidrogénio, com veículos a circular no concelho.
Em Évora, o foco está nos edifícios. Uma das demonstrações previstas é a instalação, na piscina municipal, de um misturador de hidrogénio e gás natural, para avaliar o comportamento desta mistura num sistema de aquecimento em funcionamento.
Na ilha da Culatra, na Ria Formosa, a ideia é outra. O projeto vai desenvolver ali uma comunidade de energia renovável em que o hidrogénio funciona como bateria: é produzido com a eletricidade que sobra nas horas de maior produção solar, fica armazenado e volta a ser convertido em eletricidade quando o consumo sobe e o sol falta, em ligação com redes inteligentes.
Do papel para o terreno
O consórcio reúne 29 parceiros de sete países, entre universidades, empresas, municípios, centros tecnológicos e entidades públicas. O que se aprender nos locais de demonstração deverá servir para replicar as soluções noutras regiões.
O hidrogénio é apontado há anos como peça da descarbonização, mas a discussão tem ficado muitas vezes pelos planos. O que o H2tALENT promete é pôr equipamentos a funcionar em sítios concretos e medir o que acontece. Os resultados dirão em que usos compensa.



