Exploração lunar
NASA abre ao público 800 GB de dados da Artemis II, com mais de 11 mil imagens da Lua
Fotografias em resolução total, 8,5 horas de gravações da tripulação e imagens anotadas à mão pelos astronautas: o arquivo científico do primeiro voo tripulado à volta da Lua em mais de 50 anos já pode ser consultado por qualquer pessoa.

Seis meses depois de a Artemis II ter levado quatro astronautas à volta da Lua, a NASA abriu o arquivo científico da missão. Desde 7 de outubro estão no Planetary Data System, o repositório público das missões planetárias da agência, mais de 800 gigabytes de dados, parte deles nunca antes divulgada. São mais de 11 mil imagens e vídeos em resolução total, captados com as câmaras de mão da tripulação e com as da cápsula Orion, 8,5 horas de gravações com as observações científicas feitas a bordo e imagens anotadas pelos próprios astronautas.
A agência descreve o conjunto como o primeiro arquivo de ciência planetária recolhido sobretudo por pessoas em mais de meio século. Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da NASA, e Jeremy Hansen, da agência espacial canadiana, tiveram formação em geografia e geologia lunar antes do voo. Na passagem pela Lua, a 6 de abril, revezaram-se durante cerca de sete horas às janelas da Orion a fotografar, a anotar e a descrever o que viam. No ponto mais próximo ficaram a 6.545 quilómetros da superfície.
Clarões na escuridão e uma Lua com cores
O relatório preliminar que acompanha os dados destaca cinco clarões muito ténues, vistos quando a Orion estava a cerca de 74 mil quilómetros da Lua. Depois de excluir raios cósmicos e reflexos na nave, a equipa científica atribuiu-os a impactos de rochas com poucos centímetros, que chegam à superfície a milhares de quilómetros por hora. Os astronautas das missões Apollo viram fenómenos parecidos a partir da órbita lunar, mas estes serão os mais fracos alguma vez registados a olho nu. Saber com que frequência acontecem interessa a quem vai desenhar as futuras bases lunares.
A tripulação descreveu também tons que as fotografias nem sempre mostram. Os azulados apontam para rochas vulcânicas ricas em titânio, os castanhos para diferentes teores de ferro e os esverdeados para vidro formado em erupções ou em impactos de asteroides. Junto ao terminador, a linha que separa o dia da noite, a luz rasante fazia sobressair crateras e montanhas, em condições parecidas com as que se esperam perto do polo sul. Durante 54 minutos, os quatro assistiram ainda a um eclipse do Sol pela Lua, muito mais longo do que qualquer eclipse total visto da Terra.
Como consultar o arquivo
Os dados estão em pds-geosciences.wustl.edu/missions/artemis2, o nó de geociências do Planetary Data System, e são de acesso público. Além das imagens e do áudio, há três documentos: o relatório preliminar de ciência lunar, o relatório das operações científicas e um guia de utilização dos dados. Vale a pena começar por este último, porque o arquivo está organizado a pensar em investigadores e não em quem procura só uma boa fotografia.
Para isso, a NASA reuniu as imagens mais marcantes numa página à parte, com as anotações dos astronautas e a explicação de cada uma. Entre as vistas da Terra há uma em que se distinguem as luzes das cidades do norte de África e da Península Ibérica. Segundo a agência, os relatórios já estão a ser usados no planeamento da Artemis III e das missões seguintes.



