Saltar para o conteúdo

NASA

NASA testa baterias de estado sólido que funcionam a 80 graus negativos para levar para a Lua

No polo sul da Lua as noites chegam aos 200 graus negativos, e uma bateria como a do teu telemóvel não aguenta. O projeto SPEARS troca o líquido do interior por um material sólido e as primeiras células já passaram os testes em câmara de vácuo. A NASA admite levar a tecnologia para carros, telemóveis e drones.

Por · 2 min de leitura
Partilhar
Investigador de óculos e luvas azuis segura uma pequena bateria tipo moeda junto à porta de uma câmara de vácuo térmico, num laboratório
Yi Lin, responsável pelos testes do SPEARS no centro Langley da NASA, com uma das células acabadas de sair da câmara de vácuo térmico. NASA

Quem já teve um carro que não pegou numa manhã de geada sabe que as baterias não gostam de frio. No polo sul da Lua, onde a NASA quer instalar uma presença humana duradoura no âmbito do programa Artemis, as temperaturas noturnas descem aos 200 graus negativos. A agência norte-americana revelou esta semana os primeiros resultados de um projeto para resolver esse problema: baterias de estado sólido capazes de sobreviver a esses extremos e de voltar a funcionar quando aquecidas, sem representarem risco de incêndio.

Um eletrólito que não congela

O projeto chama-se SPEARS e é liderado pelo centro Glenn da NASA, em Cleveland. A ideia parte de uma fraqueza das baterias de iões de lítio que usamos todos os dias, dos portáteis aos telemóveis: dependem de um eletrólito líquido. No frio da noite lunar esse líquido congela e pode danificar a bateria, com os 100 graus do dia lunar deixa de funcionar até arrefecer e, no vácuo do espaço, evapora.

A solução da equipa é trocar o líquido por um material sólido, à base de cerâmica ou de polímero. Nos testes feitos numa câmara de vácuo térmico no centro Langley, na Virgínia, pequenas células protótipo funcionaram bem entre 80 °C e 60 °C negativos e, com um desempenho ligeiramente inferior, até aos 80 °C negativos. "Provámos pela primeira vez que estas células conseguem funcionar até 80 graus Celsius negativos", afirmou Yi Lin, responsável pelos testes.

As baterias também aguentaram as oscilações entre o dia e a noite lunares. Depois de expostas a temperaturas entre os 100 °C e os 170 °C negativos, não sofreram danos. Nesse frio extremo não funcionam, mas como o eletrólito sólido não congela, sobrevivem, e pequenos aquecedores bastam para as pôr de novo a trabalhar. Segundo a NASA, isto pode dispensar parte dos pesados sistemas que hoje mantêm os equipamentos quentes, com naves e habitats mais leves e missões mais longas.

Da Lua para o bolso

Na Lua, as aplicações vão de berbequins para usar em crateras sempre na sombra a veículos de exploração e kits de energia de emergência para os astronautas. A equipa diz que a química pode ser ajustada a cada caso, privilegiando a energia, a potência ou a durabilidade, tal como hoje os auriculares, os telemóveis e os carros usam baterias diferentes. O centro Ames, na Califórnia, está a preparar placas de teste e eletrónica para ensaiar as baterias no espaço.

A NASA também aponta usos na Terra. Ji Su, cientista de polímeros e responsável pela tarefa em Langley, refere automóveis, telemóveis, aparelhos de comunicação e drones como mercados possíveis para baterias de estado sólido. Não há, porém, qualquer calendário para isso. O SPEARS arrancou em 2026, com financiamento da direção de investigação e tecnologia da agência, e vai concentrar-se no desenvolvimento da tecnologia antes de, eventualmente, passar a colaborações com empresas.

Partilhar

Newsletter

O essencial da tecnologia, em português, na tua caixa de correio. Deixa o teu email e recebes a primeira edição.

Artigos relacionados

Mais em Ciência e Espaço

Mais lidas nos últimos 7 dias

  1. Inteligência ArtificialSAP compra a TechWolf para pôr a IA a mapear as competências de quem trabalha
  2. MobilidadeMetro de Lisboa com o cartão bancário: quanto custa a viagem e os erros que te fazem pagar a mais
  3. GadgetsHuawei Watch D3, relógio que mede a tensão arterial com uma bolsa de ar, chega a Portugal a 26 de outubro
  4. TelemóveisXiaomi 12T e 12T Pro deixam de receber atualizações de segurança; Redmi 13C e POCO C65 seguem em novembro
  5. Internet e AppsVodafone contesta saída forçada da Huawei da rede de transporte e avisa que a troca obriga a cortes de serviço