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NASA testa baterias de estado sólido que funcionam a 80 graus negativos para levar para a Lua
No polo sul da Lua as noites chegam aos 200 graus negativos, e uma bateria como a do teu telemóvel não aguenta. O projeto SPEARS troca o líquido do interior por um material sólido e as primeiras células já passaram os testes em câmara de vácuo. A NASA admite levar a tecnologia para carros, telemóveis e drones.

Quem já teve um carro que não pegou numa manhã de geada sabe que as baterias não gostam de frio. No polo sul da Lua, onde a NASA quer instalar uma presença humana duradoura no âmbito do programa Artemis, as temperaturas noturnas descem aos 200 graus negativos. A agência norte-americana revelou esta semana os primeiros resultados de um projeto para resolver esse problema: baterias de estado sólido capazes de sobreviver a esses extremos e de voltar a funcionar quando aquecidas, sem representarem risco de incêndio.
Um eletrólito que não congela
O projeto chama-se SPEARS e é liderado pelo centro Glenn da NASA, em Cleveland. A ideia parte de uma fraqueza das baterias de iões de lítio que usamos todos os dias, dos portáteis aos telemóveis: dependem de um eletrólito líquido. No frio da noite lunar esse líquido congela e pode danificar a bateria, com os 100 graus do dia lunar deixa de funcionar até arrefecer e, no vácuo do espaço, evapora.
A solução da equipa é trocar o líquido por um material sólido, à base de cerâmica ou de polímero. Nos testes feitos numa câmara de vácuo térmico no centro Langley, na Virgínia, pequenas células protótipo funcionaram bem entre 80 °C e 60 °C negativos e, com um desempenho ligeiramente inferior, até aos 80 °C negativos. "Provámos pela primeira vez que estas células conseguem funcionar até 80 graus Celsius negativos", afirmou Yi Lin, responsável pelos testes.
As baterias também aguentaram as oscilações entre o dia e a noite lunares. Depois de expostas a temperaturas entre os 100 °C e os 170 °C negativos, não sofreram danos. Nesse frio extremo não funcionam, mas como o eletrólito sólido não congela, sobrevivem, e pequenos aquecedores bastam para as pôr de novo a trabalhar. Segundo a NASA, isto pode dispensar parte dos pesados sistemas que hoje mantêm os equipamentos quentes, com naves e habitats mais leves e missões mais longas.
Da Lua para o bolso
Na Lua, as aplicações vão de berbequins para usar em crateras sempre na sombra a veículos de exploração e kits de energia de emergência para os astronautas. A equipa diz que a química pode ser ajustada a cada caso, privilegiando a energia, a potência ou a durabilidade, tal como hoje os auriculares, os telemóveis e os carros usam baterias diferentes. O centro Ames, na Califórnia, está a preparar placas de teste e eletrónica para ensaiar as baterias no espaço.
A NASA também aponta usos na Terra. Ji Su, cientista de polímeros e responsável pela tarefa em Langley, refere automóveis, telemóveis, aparelhos de comunicação e drones como mercados possíveis para baterias de estado sólido. Não há, porém, qualquer calendário para isso. O SPEARS arrancou em 2026, com financiamento da direção de investigação e tecnologia da agência, e vai concentrar-se no desenvolvimento da tecnologia antes de, eventualmente, passar a colaborações com empresas.



