Amazónia
Satélites do INPE registam o desmatamento mais baixo de sempre na Amazónia: 3.335 km², menos 41,8% num ano
Os dados anuais do sistema Prodes, que mede por satélite a floresta cortada no Brasil, mostram os valores mais baixos desde que há registos, tanto na Amazónia como no Cerrado. A boa notícia chega numa altura em que a seca do El Niño está a encher a Amazónia de incêndios.

A Amazónia brasileira perdeu menos floresta no último ano do que em qualquer outro desde que o Brasil a mede por satélite. Segundo as estimativas do Prodes, o sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) que calcula a taxa oficial de desmatamento, foram cortados 3.335 km² de floresta entre agosto de 2025 e julho de 2026. É o valor mais baixo da série, iniciada em 1988, e representa uma descida de 41,8% face aos 5.731 km² do período anterior. Os dados foram apresentados a 16 de outubro, em Brasília, pelo INPE e pelo Ministério do Meio Ambiente.
Como se mede a floresta a partir do espaço
O Prodes usa imagens de satélite para medir, todos os anos, a área de vegetação nativa que foi suprimida, e é dele que sai a taxa oficial de desmatamento do Brasil. Os números agora divulgados são uma estimativa: segundo a apresentação oficial, foram calculados com 271 das 516 imagens que cobrem a Amazónia, as das zonas prioritárias. O país tem também o Deter, um sistema de alertas rápidos, mas é o Prodes que dá a medição anual.
Três estados concentram a maior parte da área cortada na Amazónia: o Pará, com 1.130 km² (33,9% do total), o Mato Grosso, com 849 km² (25,5%), e o Amazonas, com 525 km² (15,7%). No Cerrado, a grande savana do centro do Brasil, o desmatamento também atingiu o valor mais baixo da série, iniciada em 2001: 5.516,69 km², menos cerca de 24% do que os 7.235 km² do ano anterior. Aqui lideram o Maranhão, com 1.718,59 km², o Tocantins e o Piauí. A apresentação aponta quedas de 71,2% na Amazónia e de 48,4% no Cerrado em quatro anos.
Menos abate, mais fogo
O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, citado pelo Poder360, lembrou que os dois biomas têm problemas diferentes: na Amazónia há muita terra pública, enquanto no Cerrado predominam propriedades onde a lei permite desmatar em certas condições. O Observatório do Clima, uma rede de organizações ambientais, atribui parte dos resultados aos embargos do Ibama a áreas desmatadas, à monitorização por satélite e ao Fundo Amazónia, segundo a agência Lusa.
O desmatamento medido pelo Prodes é o corte da floresta, não os incêndios, e estes estão a aumentar. A NASA mostrou a 15 de outubro que, desde setembro, os satélites detetam subidas fortes da atividade de fogo e do fumo no centro e no leste da Amazónia, numa região deixada seca pelo El Niño. A 12 de outubro, o fumo levou Manaus a fechar escolas, com partículas finas acima de 135 microgramas por metro cúbico. Os cientistas citados pela agência espacial esperam uma época de incêndios longa e severa.



