ESA
Sonda europeia Hera começa a travar para chegar ao asteroide que a NASA desviou em 2022
Dois anos depois do lançamento, a missão de defesa planetária da ESA está a fazer as manobras mais delicadas da viagem. Até ao fim de outubro tem de igualar a velocidade dos asteroides Didymos e Dimorphos. A ligação entre a sonda e os dois pequenos satélites que leva a bordo é tecnologia portuguesa.

A sonda Hera, da Agência Espacial Europeia (ESA), entrou na fase mais exigente da viagem desde o lançamento, a 7 de outubro de 2024. Para chegar ao seu destino, o par de asteroides Didymos e Dimorphos, tem de travar a fundo: segue a mais de 12 quilómetros por segundo em relação à Terra e precisa de igualar a velocidade das duas rochas. A primeira de duas grandes travagens está marcada para a madrugada desta quinta-feira, 15 de outubro.
Uma travagem em várias etapas
Segundo a ESA, a Hera roda sobre si própria para apontar os propulsores principais na direção dos asteroides e liga três deles ao mesmo tempo, durante 93 minutos no total. A manobra corta a velocidade em relação aos asteroides em algumas centenas de metros por segundo. A equipa de dinâmica de voo confirma depois o resultado através da antena de 35 metros da ESA em New Norcia, na Austrália.
A segunda travagem, de cerca de 31 minutos, está prevista para a madrugada de 22 de outubro e deve completar quase toda a redução necessária. Seguem-se três manobras mais pequenas no fim do mês, para deixar a velocidade relativa perto de zero. De acordo com o Space.com, a Hera deverá ficar a cerca de 30 quilómetros dos asteroides no início de novembro, quando começam as primeiras observações científicas, e aproximar-se ainda mais no início de dezembro.
A 7 de outubro, a sonda já tinha captado a primeira imagem do destino. A cerca de 236 500 quilómetros, o sistema aparecia como um único ponto de luz, mais pequeno do que um píxel da câmara.
A cena do crime da DART
Dimorphos, com cerca de 150 metros de diâmetro, gira em torno de Didymos, que tem 780 metros. A 26 de setembro de 2022, a sonda DART, da NASA, embateu de propósito em Dimorphos a 6,1 quilómetros por segundo e encurtou em cerca de 33 minutos a órbita, que era de 11 horas e 55 minutos. Foi a primeira vez que a humanidade alterou de forma mensurável a trajetória de um corpo do Sistema Solar.
Falta saber quase tudo o resto. A ESA quer medir a massa e a estrutura do asteroide e perceber se o impacto deixou uma cratera ou se o remodelou por completo. Só assim o desvio por impacto pode passar a ser uma técnica que se possa repetir se um dia um asteroide ameaçar a Terra. "É como um mundo novo", resumiu ao Space.com Patrick Michel, investigador principal da missão.
Os CubeSats e a peça portuguesa
Em janeiro, a Hera deverá largar dois CubeSats do tamanho de caixas de sapatos. O Milani vai analisar a composição da superfície e da poeira, e o Juventas vai usar um radar para espreitar o interior de Dimorphos, algo nunca feito num asteroide, e terminar a missão pousado nele.
Os três aparelhos comunicam através de uma ligação entre satélites fornecida pela Tekever, de Portugal. Segundo a ESA, esse sistema permite à Hera servir de estação de retransmissão para os CubeSats, controlar as posições relativas para evitar colisões e ajudar a medir a gravidade dos dois asteroides. A missão principal deverá operar pelo menos até setembro de 2027.



