Telescópio Roman
Telescópio Roman da NASA está mais nítido do que o previsto; primeiras imagens chegam até ao início de 2027
Lançado no fim de agosto, o novo telescópio espacial da NASA está a meio da viagem e dos testes. A equipa afinou o espelho secundário por uma fração da espessura de um cabelo e a câmara principal ficou cerca de 30% melhor do que o esperado. Nas próximas semanas, o coronógrafo tenta esconder a luz das estrelas.

O telescópio espacial Nancy Grace Roman, a próxima grande missão de astronomia da NASA, está a sair-se melhor do que os engenheiros esperavam. Lançado a 30 de agosto num foguetão Falcon Heavy, a partir do Centro Espacial Kennedy, na Florida, o Roman está a meio de uma viagem de cerca de três meses até ao ponto de Lagrange L2, a cerca de um milhão de milhas da Terra (perto de 1,6 milhões de quilómetros). Pelo caminho passa pela fase de comissionamento, em que cada sistema é ligado, testado e calibrado. Num balanço publicado a 14 de outubro, a agência diz que o telescópio já está focado e que o instrumento principal funciona como devia.
Uma afinação mais fina do que um cabelo
O instrumento principal, chamado Wide Field Instrument, é uma câmara de infravermelhos de 300 megapíxeis com 18 detetores, ligada em setembro. Desde então, a equipa testou os detetores e a eletrónica, a roda com os filtros que deixam passar cores específicas de luz, as luzes internas de calibração e o sistema que mantém a temperatura dos componentes. Também tirou o instrumento da posição desfocada em que viajou no lançamento e levou-o para o ponto de foco previsto.
O telescópio em si precisou de muito pouco. Para acertar o alinhamento, os engenheiros deslocaram o espelho secundário cerca de um dezasseis avos do diâmetro de um cabelo humano. O requisito de qualidade de imagem permitia que a ótica se desviasse da perfeição até 90 nanómetros, mas depois das correções o erro ficou nos 63 nanómetros, o que deixa o instrumento quase 30% melhor do que o previsto. "Todas as imagens dos levantamentos do Roman vão ser ainda mais nítidas do que esperávamos", resumiu Alden Jurling, engenheiro ótico da NASA.
O que vem a seguir
O segundo instrumento, o coronógrafo, começou com imagens ligeiramente desfocadas, um problema menor do que o antecipado e já corrigido. Nas próximas semanas, a equipa vai calibrar a câmara e os espelhos deformáveis e tentar demonstrar o que o coronógrafo faz de especial: tapar a luz de uma estrela para conseguir fotografar planetas à sua volta, parecidos com Júpiter. A NASA vê nesta tecnologia um ensaio para futuras missões que procurem planetas semelhantes à Terra.
Quando estiver em pleno funcionamento, o Roman vai estudar a matéria escura, a energia escura e os planetas fora do Sistema Solar, e varrer o céu mil vezes mais depressa do que o Hubble, segundo a NASA. Vai enviar 1,4 terabytes de dados por dia, e na comunicação com a Terra conta também com o complexo da rede de espaço profundo da NASA perto de Madrid. As primeiras imagens devem ser divulgadas até ao início de 2027.



