Portáteis
Ecrãs OLED nos portáteis vão crescer 50% em 2026, num mercado que encolhe, prevê a Counterpoint
A consultora espera menos ecrãs de portátil vendidos este ano, mas muitos mais com tecnologia OLED. O empurrão vem dos portáteis de gama alta com IA e da mudança que a Counterpoint antecipa nos MacBook Pro. Quem perde é o MiniLED, com uma queda prevista de 38%.

Os portáteis com ecrã OLED vão ser bastante mais comuns nas lojas, mesmo num ano mau para as vendas de computadores. A Counterpoint Research prevê que as remessas de painéis OLED para portáteis cresçam 50% em 2026 e mais 24% em 2027. No mesmo período, o mercado total de ecrãs para portáteis deve recuar 3% este ano, travado pelo aumento do custo da memória e dos restantes componentes.
Os números constam de um comunicado da consultora com data de 8 de outubro, baseado no seu relatório trimestral sobre ecrãs avançados para equipamentos informáticos. Somando OLED e MiniLED, as duas tecnologias que a Counterpoint considera avançadas, o segmento cresce 11% em 2026.
O MiniLED fica para trás
O crescimento do OLED faz-se em parte à custa do MiniLED, a tecnologia que usa milhares de pequenos LED atrás de um painel LCD para melhorar o contraste. A Counterpoint estima que as remessas de ecrãs MiniLED para portáteis caiam 38% em 2026 e outros 60% em 2027.
A explicação da consultora é que os fabricantes preferem cada vez mais o OLED, por permitir portáteis mais finos, por ter melhor qualidade de imagem e porque o custo se está a aproximar. Num ecrã OLED cada ponto emite a sua própria luz, o que dá pretos profundos e dispensa a camada de retroiluminação.
O papel da Apple e dos portáteis com IA
A previsão assenta em dois motores. Um é a procura por portáteis de gama alta preparados para inteligência artificial. O outro é a adoção de OLED na próxima geração do MacBook Pro, que a Counterpoint dá como esperada. A Apple não anunciou esse modelo, pelo que esta parte da previsão depende de uma decisão que ainda não é oficial.
Do lado da tecnologia, a consultora aponta três avanços que devem tornar o OLED mais atrativo e mais barato de produzir. A arquitetura tandem dá mais brilho, gasta menos energia e prolonga a vida do painel. A chegada ao mercado de emissores azuis fosforescentes deve reduzir o consumo. E o aumento da produção em fábricas de geração 8.7, com painéis traseiros de óxido, deve baixar o custo de fabrico.
O que muda para quem vai comprar
A longo prazo, a Counterpoint diz-se muito otimista e prevê que, entre 2024 e 2030, as remessas de painéis OLED para portáteis cresçam em média 26% ao ano e as receitas 35%. Para o comprador, isto significa mais modelos com OLED à escolha e, se a previsão sobre os custos se confirmar, a tecnologia a descer para portáteis menos caros.
O comunicado não traz preços nem dados por país, e não diz quando essa descida chega ao consumidor. Convém lembrar o contexto: o mesmo texto reconhece que a memória mais cara está a encarecer os computadores e a travar a procura. Um ecrã melhor não torna os portáteis de 2026 mais baratos. O que a Counterpoint descreve é uma mudança na oferta dentro das gamas mais altas, que são também as que melhor têm resistido à quebra do mercado.



