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Hora oficial

Fim dos segundos intercalares: hora mundial deixa de ter acertos em maio de 2027 para proteger sistemas

Desde 1972 foram acrescentados 27 segundos à hora mundial para acompanhar a rotação da Terra, e cada um deu dores de cabeça a servidores e redes. A conferência que gere as unidades de medida decidiu acabar com eles, com medo de ter de tirar um segundo pela primeira vez.

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Relógio atómico de césio CS2, com um painel amarelo de instrumentos e um cilindro metálico, numa sala de laboratório com outros relógios ao fundo
Relógio atómico CS2 do instituto alemão de metrologia PTB, em Braunschweig, numa fotografia de 1997. Jörg Behrens / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

A hora oficial do mundo vai deixar de levar segundos extra. Na reunião da semana passada, a 28.ª Conferência Geral de Pesos e Medidas, o organismo internacional que define as unidades de medida, aprovou uma resolução que torna o Tempo Universal Coordenado (UTC) contínuo a partir de 20 de maio de 2027. Até agora, sempre que a rotação da Terra, que é irregular, se afastava demasiado da hora dos relógios atómicos, acrescentava-se um segundo intercalar para os voltar a alinhar. Desde 1972 foram somados 27, segundo o The Register.

Porque é que um segundo incomoda os computadores

Até aqui, a regra era manter a diferença entre o UTC e o tempo da rotação da Terra abaixo de 0,9 segundos. A partir de maio de 2027, a diferença pode chegar a uma hora (3.600 segundos) antes de ser preciso intervir, o que, segundo a resolução, garante a continuidade do UTC durante vários séculos. A razão é sobretudo informática. Um minuto com 61 segundos é difícil de aplicar sem falhas em redes de telecomunicações, redes elétricas e servidores, e as grandes empresas de serviços online usam métodos diferentes para o diluir nos seus sistemas. Isso cria, diz o texto aprovado, diferenças de hora entre sistemas que deviam estar sincronizados.

O maior receio é outro. A Terra tem rodado um pouco mais depressa e, num encontro de peritos realizado em março de 2025, estimou-se em 30% a probabilidade de ser preciso retirar um segundo até 2035. Isso nunca aconteceu e a resolução considera que traria um risco elevado de falhas em infraestruturas críticas pouco preparadas. A preparação obrigaria as empresas que dependem da sincronização da hora a um investimento semelhante ao que fizeram para o bug do ano 2000. O documento cita ainda o número crescente de aparelhos da internet das coisas, sensores e redes elétricas inteligentes, muitos difíceis de atualizar, como fonte de risco a cada novo segundo.

O que muda para ti

No dia a dia, nada. Em Portugal, a relação entre a hora local e o UTC está fixada no Decreto-Lei 17/96, como explica o IPMA, por isso a hora legal portuguesa acompanha esta decisão sem mudanças visíveis. O que desaparece é o risco de, numa noite de acerto, um segundo a mais ou a menos baralhar servidores, certificados de segurança ou aparelhos ligados à rede. A resolução diz que, se a decisão continuasse a ser adiada, algumas organizações podiam passar a usar a hora dos sistemas de navegação por satélite em vez do UTC, partindo a referência comum.

A ligação ao movimento da Terra não se perde. A diferença entre as duas escalas continua a ser medida e divulgada pelos serviços internacionais e nas mensagens dos sistemas de navegação por satélite, porque continua a interessar à astronomia e à navegação. Para os equipamentos de rádio que transmitem essa diferença e não possam ser substituídos a tempo, a União Internacional de Telecomunicações prevê um período de transição até 2035, e nunca depois de 2040.

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