Tinta eletrónica
E Ink Kaleido 4: leitores de livros a cores vão ter o dobro das cores e vídeo a 18 imagens por segundo
A empresa que desenvolve os ecrãs de tinta eletrónica dos leitores de livros apresentou a quarta geração da tinta eletrónica a cores. Promete menos grão, brancos mais claros e mais contraste. O primeiro aparelho a usá-la é um caderno digital chinês, sem preço nem data para a Europa.

Os leitores de livros eletrónicos a cores vão ter ecrãs melhores. A E Ink, empresa cotada na bolsa de Taiwan que desenvolve os painéis de tinta eletrónica usados em leitores de livros e cadernos digitais, apresentou a 15 de outubro o Kaleido 4, a quarta geração da sua tecnologia a cores. O primeiro produto a usá-lo é um caderno digital da chinesa Hanvon, o M10C II. As marcas mais conhecidas na Europa ainda não anunciaram modelos com o novo painel.
O que melhora no ecrã
A tinta eletrónica a cores tem fama de mostrar tons pálidos e uma imagem com grão, sobretudo quando comparada com um tablet normal. É aí que a E Ink concentra as promessas. Segundo a empresa, o Kaleido 4 duplica o volume de cores face à geração anterior, para mais de 40 mil, reflete mais 15% de luz nas zonas brancas e tem mais 50% de contraste. A iluminação frontal também foi redesenhada, para cores mais naturais.
A outra novidade é a velocidade. O painel usa uma nova camada de transístores de óxido, que aguenta tensões mais altas e permite atualizar a imagem mais depressa. Com novos algoritmos, a E Ink diz que já é possível ver vídeo até 18 imagens por segundo. Continua muito longe de um ecrã LCD ou OLED, mas, segundo o Gizmochina, supera as 12 imagens por segundo que a Bigme anunciava para o tablet S6 Color+, que usa o Kaleido 3. Para animações simples e para deslizar páginas, a diferença deve notar-se.
A empresa aponta o novo painel a mais do que livros: PDF a cores, apresentações, gráficos, manuais escolares e desenhos técnicos, conteúdos em que as cores pouco fiéis da geração anterior atrapalhavam a leitura.
O primeiro aparelho é chinês
O Hanvon M10C II é um caderno digital para ler e escrever. Tem processador Qualcomm de oito núcleos, 4 GB de RAM e 128 GB de armazenamento. Vem com uma caneta sem fios e sem bateria, com 8.192 níveis de pressão, e o vidro tem um tratamento antirreflexo que, segundo a marca, dá uma sensação de escrita parecida com a do papel. A Hanvon garante que virar páginas e fazer deslizar o texto é 27% mais rápido do que no modelo anterior, um ganho que atribui ao painel e a tecnologia própria.
O software inclui reconhecimento de texto escrito à mão, aplicações de escritório e de voz com inteligência artificial e sincronização da biblioteca na nuvem. A E Ink descreve a Hanvon como uma das marcas líderes de leitores eletrónicos na China.
O que muda para quem está em Portugal
Para já, nada de imediato. O M10C II não tem preço nem data de lançamento anunciados e não se sabe se será vendido na Europa. A E Ink também não disse que outras marcas vão usar o Kaleido 4. A maioria dos leitores e tablets a cores à venda usa ainda o Kaleido 3, como o Onyx Boox Tab Ultra C e o Bigme S6 Color+ citados pelo Gizmochina.
Se estás a pensar comprar um leitor a cores, convém confirmar na ficha técnica que geração de painel traz. Até as marcas anunciarem modelos com o Kaleido 4, o que se sabe sobre a qualidade de imagem vem apenas da E Ink e da Hanvon, sem testes independentes.



