Óculos inteligentes
Vendas de óculos de realidade aumentada vão duplicar em 2026, puxadas pela Meta e por marcas chinesas
A TrendForce prevê 1,31 milhões de óculos de realidade aumentada vendidos este ano, mais do dobro de 2025, e quase mais 80% em 2027. A Meta lidera, mas a XREAL, a Even Realities, a Rokid e a RayNeo já valem mais de metade do mercado. Em Portugal, os modelos com ecrã nas lentes ainda quase não se veem.

Os óculos de realidade aumentada, que sobrepõem informação ao que vês à tua frente, estão a deixar de ser protótipos de feira para se tornarem produtos de consumo. A consultora TrendForce, especializada em tecnologia, prevê que as vendas mundiais passem de 620 mil unidades em 2025 para 1,31 milhões em 2026, um crescimento de 111%. Os números constam de um relatório sobre ecrãs próximos do olho divulgado a 15 de outubro. Para 2027, a previsão aponta para mais quase 80%.
Quem está a vender
A Meta deve terminar o ano à frente, com cerca de 20% das unidades vendidas. Segundo a TrendForce, foi o sucesso acima do esperado dos óculos com ecrã Ray-Ban Display que chamou a atenção dos consumidores e levou outras marcas e fornecedores a acelerar os seus produtos. Juntas, a XREAL, a Even Realities, a Rokid e a RayNeo devem somar 53,2% do mercado, o que mostra que há espaço para além da Meta.
Cada uma aposta num tipo de uso diferente. A XREAL faz óculos pensados para entretenimento e vídeo e prepara o Aura, desenvolvido com a Google, para o fim do ano. A Even Realities concentra-se em óculos que mostram informação, com destaque para a leveza e o desenho discreto. A Rokid e a RayNeo têm gamas mais variadas, para diferentes usos.
A tecnologia dos ecrãs
O relatório explica também o que está dentro das lentes. Duas tecnologias de microecrãs devem representar cerca de 80% do mercado em 2026: OLEDoS, OLED montado diretamente sobre silício e mais usado nos óculos de entretenimento, e LEDoS, com microLED sobre silício, mais leve e preferido nos óculos de informação. A dificuldade do LEDoS continua a ser a cor: muitos modelos só mostram imagem verde, e a indústria está a desenvolver soluções com vermelho e verde para tornar a informação mais fácil de ler. Os produtos da Meta usam uma terceira tecnologia, o LCoS.
E em Portugal?
O crescimento vai notar-se pouco cá, pelo menos para já. A Meta e a EssilorLuxottica lançam os óculos inteligentes em Portugal a 19 de outubro, com preços a partir de 439 euros e a assistente Meta AI em português de Portugal, mas a lista de modelos divulgada pela 4gnews inclui os Ray-Ban Meta, os Ray-Ban Meta Audio, os Ray-Ban Meta Optics e os Oakley Meta, sem o Ray-Ban Display. Consoante o modelo, estes óculos têm câmara e altifalantes nas hastes, mas nenhum mostra imagem nas lentes.
O Aura, da XREAL, também começa pelos Estados Unidos, Canadá, Japão e Coreia do Sul, com preço de 1.279 dólares nos EUA, e a marca só promete mais mercados em 2027. Quem quiser hoje uns óculos com ecrã em Portugal fica limitado a propostas como as da XREAL, à venda na loja europeia da marca.



