Saltar para o conteúdo

Brave

Brave cifra as conversas com o assistente Leo de ponta a ponta: nem a empresa consegue ler o que perguntas

O navegador passou a proteger as conversas com o modelo aberto GLM 5.3 Flash com encriptação feita no teu computador e processamento dentro de hardware selado. O teu endereço IP também fica escondido. Basta escolher esse modelo no Leo.

Por · 2 min de leitura
Partilhar
Janela do navegador Brave no Windows 11 com a página inicial da Wikipédia aberta
O navegador Brave no Windows 11. Justauserboy / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Quase tudo o que escreves a um assistente de inteligência artificial fica guardado nos servidores de quem o fornece. A Brave quer mudar isso no Leo, o assistente integrado no seu navegador. Desde 15 de outubro, as conversas com o modelo aberto GLM 5.3 Flash, lançado pela Z.ai em agosto com licença MIT, são cifradas de ponta a ponta. Segundo a empresa, nem a Brave nem o operador que corre o modelo conseguem ler as perguntas ou as respostas.

Como funciona

Quando escreves uma pergunta, o navegador cifra-a no teu computador antes de ela sair. O pedido segue através do AI Gateway da Brave, um intermediário de código aberto que usa o protocolo Oblivious HTTP e esconde o teu endereço IP de quem está do outro lado. O destino é um ambiente de execução seguro, uma espécie de cofre dentro do processador, operado pela NEAR AI com tecnologia da Intel e da Nvidia. Só aí a pergunta é decifrada e passada ao modelo, e a resposta volta cifrada até ao teu browser.

Há um passo antes de tudo isto. O cofre tem de apresentar uma prova assinada pelo próprio hardware, que confirma que o equipamento é genuíno e que o modelo e o código em execução são os anunciados. Segundo a Brave, isto impede que o fornecedor troque o modelo sem aviso, algo que um estudo citado pela empresa diz ser difícil de detetar só pelas respostas. Quando o Leo precisa de pesquisar na web, a pesquisa também parte de dentro do cofre e não do teu computador.

Porque é que a Brave usa um modelo aberto

A empresa explica que só um modelo com pesos públicos permite que outra entidade, neste caso a NEAR AI, o corra inteiramente dentro de hardware verificado. Assim, a Z.ai, que criou o GLM, nunca vê as tuas conversas. O histórico fica guardado no teu dispositivo e o Leo continua a não exigir conta nem a registar endereços IP. "A IA aumentou o risco", disse Brendan Eich, cofundador e presidente executivo da Brave, num comunicado citado pelo The Register.

O sistema ainda não está completo. A Brave quer passar a verificação da prova do hardware para dentro do próprio browser, publicar um registo das chaves usadas e confirmar os pesos exatos do modelo carregado em memória. Nesta fase, uma parte da verificação continua a ser feita pelo intermediário da empresa.

Como experimentar

O Leo é gratuito e funciona sem conta, com uma subscrição Premium para quem quer limites de utilização mais altos. A encriptação de ponta a ponta já está disponível nas versões Release, Beta e Nightly do navegador. Para a usar, abre o Leo e escolhe o GLM 5.3 Flash na lista de modelos. A Brave só anuncia esta proteção para as conversas com o GLM 5.3 Flash, e não para os restantes modelos disponíveis no Leo.

Partilhar

Newsletter

O essencial da tecnologia, em português, na tua caixa de correio. Deixa o teu email e recebes a primeira edição.

Mais lidas nos últimos 7 dias

  1. Inteligência ArtificialSAP compra a TechWolf para pôr a IA a mapear as competências de quem trabalha
  2. MobilidadeMetro de Lisboa com o cartão bancário: quanto custa a viagem e os erros que te fazem pagar a mais
  3. GadgetsHuawei Watch D3, relógio que mede a tensão arterial com uma bolsa de ar, chega a Portugal a 26 de outubro
  4. TelemóveisXiaomi 12T e 12T Pro deixam de receber atualizações de segurança; Redmi 13C e POCO C65 seguem em novembro
  5. Internet e AppsVodafone contesta saída forçada da Huawei da rede de transporte e avisa que a troca obriga a cortes de serviço