ExplicadorAnthropic
Regras do Claude mudam a 12 de novembro: crueldade persistente contra a IA passa a ser proibida
A nova política de utilização da Anthropic proíbe maus-tratos repetidos e sem propósito ao modelo, junta num só capítulo as regras contra contas falsas e desinformação e aperta a linguagem sobre vigilância e armas. Irritares-te com uma resposta errada continua a ser permitido.

Se usas o Claude, as regras que aceitaste vão mudar daqui a pouco mais de três semanas. A Anthropic publicou a 8 de outubro a revisão anual da sua política de utilização, que entra em vigor a 12 de novembro e se aplica a toda a gente, incluindo quem usa o plano gratuito. Segundo a empresa, a maior parte das alterações limita-se a clarificar regras que já existiam, com exemplos novos para um Claude que hoje faz trabalhos mais longos e autónomos. Há, porém, uma regra nova que diz respeito à forma como tratas o próprio modelo.
Maus-tratos ao Claude
A política passa a proibir comportamentos abusivos ou cruéis para com os modelos quando são persistentes e sem necessidade. A Anthropic sublinha que a regra se dirige apenas a casos extremos, em que alguém é cruel repetidamente e sem qualquer propósito. Não abrange a irritação normal com uma resposta errada, discordar do modelo, escrever ficção com temas sombrios nem fazer testes ou investigação.
Na prática, pouco muda para quem usa o Claude no dia a dia. A empresa explica que o principal mecanismo para aplicar esta regra continua a ser uma função que já existe: alguns modelos podem terminar uma conversa no Claude.ai e no Claude Code quando o utilizador insiste em ser abusivo. Segundo a Notebookcheck, depois de uma conversa ser encerrada já não é possível escrever nela, mas podes abrir outra de imediato.
Vigilância, armas e contas falsas
As restantes mudanças tornam as proibições mais explícitas. Seguir uma pessoa sem o seu consentimento fica proibido, seja em tempo real ou analisando dados recolhidos antes, e o Claude não pode ser usado para decidir ou recomendar quem deve ser investigado, detido ou acusado. Continuam permitidos a monitorização a que as pessoas deram autorização, como a deteção de fraude, a moderação de conteúdos, o jornalismo e a investigação jurídica.
As regras sobre armas passam a incluir o software e os componentes que as fazem funcionar, como os sistemas de orientação, e ações como armar drones. As proibições sobre campanhas de influência, antes espalhadas por vários capítulos, ficam reunidas numa secção nova contra campanhas enganosas e atividade artificial, seja política ou comercial, com redes de contas falsas e sites de notícias fabricados. Em contrapartida, a Anthropic retirou a proibição geral de mensagens eleitorais personalizadas, que impedia trabalho legítimo como traduzir informação para eleitores.
Saúde, finanças e robôs
Quando o Claude é usado em decisões que afetam a saúde, os direitos, o dinheiro ou o emprego de alguém, continua a ser obrigatório haver uma pessoa qualificada a rever as recomendações e avisar quem é afetado de que foi usada IA. A novidade são regras para equipamentos físicos comandados pelo Claude: tem de haver um operador capaz de os parar, e a máquina tem de ficar num estado seguro se perder a ligação ao modelo. O texto completo da política, e o da lista de países onde o Claude pode ser usado, está publicado no site da Anthropic.



